O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou sua programação oficial para esta quinta-feira (22), que inclui apenas atividades internas no Palácio dos Bandeirantes. Essa data havia sido inicialmente reservada para um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), detido em Brasília, mas a viagem foi suspensa pelo gestor paulista na noite de terça-feira (20).
Oficialmente, Tarcísio justificou o cancelamento mencionando a necessidade de cumprir outros compromissos estaduais. Na quarta-feira (21), ele esteve no interior de São Paulo, onde realizou entregas de moradias em Taquarituba e Buri, cidades do sudoeste do estado, evitando qualquer interação com jornalistas.
Fontes próximas ao governador indicam que a decisão de cancelar a visita surgiu após Tarcísio expressar descontentamento com manifestações públicas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), visto como um possível pré-candidato à Presidência da República. Pessoas do círculo de Tarcísio relatam que ele havia aceitado o convite para se encontrar com Bolsonaro com a intenção de informar sobre as articulações que vinha fazendo junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obter a prisão domiciliar para o ex-presidente.
Contudo, o ambiente teria azedado depois que Flávio declarou à imprensa que o objetivo do encontro seria Bolsonaro comunicar diretamente a Tarcísio que uma possível candidatura presidencial deste último estaria “descartada”. Essa afirmação não foi bem recebida pelo governador, que optou por cancelar a viagem, indo contra a opinião de alguns de seus aliados.
Até o final da tarde de quarta-feira, indivíduos próximos ainda tentaram persuadir Tarcísio a não desmarcar o encontro em Brasília, mas suas tentativas foram infrutíferas. O ocorrido evidenciou o atrito interno e a tensão política que envolvem as estratégias da família Bolsonaro para a próxima sucessão presidencial.
A intenção humanitária da visita
Colaboradores do governador enfatizam que o propósito inicial da visita a Jair Bolsonaro tinha um caráter humanitário. Além do gesto de solidariedade pessoal, Tarcísio planejava informar o ex-presidente sobre seus diálogos com ministros do STF, buscando meios para facilitar a concessão de prisão domiciliar, conforme noticiado primeiramente pela Jovem Pan.