Uma discussão entre dois estudantes da Universidade de Brasília (UnB) terminou em caso de polícia e resultou na prisão de uma aluna de 23 anos, na tarde da última terça-feira (11/11), no Campus Darcy Ribeiro. O episódio começou no banheiro feminino da instituição, quando a universitária questionou a presença de um colega não-binário, alegando que ele “não poderia estar ali por ser biologicamente homem”.
A partir da abordagem, a situação rapidamente se transformou em um bate-boca acalorado que seguiu até o pátio da universidade, chamando a atenção de outros alunos. Durante a discussão, a estudante teria chamado o colega de “viadinho” e de “jack” — termo usado como gíria para se referir a alguém como “estuprador”. Sentindo-se ofendido, o estudante acionou a segurança do campus, e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi chamada.
Os dois foram levados à delegacia para prestar esclarecimentos. Em depoimento, a pessoa não-binária afirmou que costuma utilizar tanto o banheiro masculino quanto o feminino e disse ter sido vítima de injúria homofóbica. Já a aluna reconheceu ter impedido o colega de usar o banheiro feminino e confirmou o uso dos termos ofensivos. Segundo o boletim, ela ainda teria sorrido de forma debochada ao ouvir o nome da vítima durante o depoimento.
O caso foi enquadrado como injúria racial na forma de injúria homofóbica, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADO 26. A estudante foi indiciada com base no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, sem direito a fiança na esfera policial.
Durante o trajeto até a delegacia, um amigo da vítima publicou nas redes sociais uma mensagem chamando a autora das agressões de “vadia”. Ele também acabou autuado por injúria.
Procurada, a Universidade de Brasília informou que acompanha o caso “de forma responsável, em articulação com os órgãos competentes” e reforçou seu compromisso com os direitos humanos, a diversidade e o respeito na convivência entre os membros da comunidade acadêmica. A instituição afirmou ainda que oferece apoio e acompanhamento a ambas as partes, garantindo o respeito aos direitos individuais, à ampla defesa e à integridade de todos os envolvidos.