Após um período de ganhos, o Banco Central (BC) registrou um balanço deficitário, influenciado diretamente pela desvalorização da moeda norte-americana.
O resultado negativo de R$ 119,97 bilhões em 2025 sucede um lucro expressivo de R$ 270,9 bilhões no ano anterior. O Conselho Monetário Nacional (CMN) validou os dados contábeis da instituição nesta quinta-feira (26).
No âmbito das transações cambiais, que englobam contratos de swap e a variação das reservas do país, o prejuízo atingiu R$ 150,26 bilhões. Esse cenário decorre da queda de 11,18% na cotação do dólar, o que impacta negativamente a conversão dos ativos para a moeda nacional.
O rombo total foi parcialmente mitigado pelo lucro operacional da instituição, que somou R$ 30,29 bilhões. A combinação do déficit cambial com o superávit das atividades rotineiras resultou no saldo final negativo anunciado.
Interação com o Tesouro Nacional
Devido às normas estabelecidas em 2019 sobre o vínculo financeiro entre o BC e o Tesouro, houve mudanças no destino dos lucros. Agora, a autoridade monetária não realiza mais a transferência direta de ganhos operacionais para o governo federal.
O montante de R$ 150,26 bilhões referente às perdas com câmbio será coberto por um fundo de reserva próprio, alimentado por resultados positivos de anos passados. Com a utilização desses recursos, o saldo da reserva recuou de R$ 263,08 bilhões para R$ 112,82 bilhões.
O desempenho histórico mais favorável do BC ocorreu em 2020, quando o lucro chegou a R$ 469,61 bilhões, impulsionado pela forte valorização do dólar durante a crise sanitária global.
A periodicidade dos balanços também passou por ajustes recentes. Desde 2022, seguindo a Lei Complementar 179, a prestação de contas deixou de ser semestral e tornou-se anual, com publicação prevista para o primeiro trimestre.
* Informações atualizadas às 19h22