A Câmara dos Deputados reconheceu cinco produções audiovisuais, uma de cada região do Brasil, no concurso Pelo Fim da Violência contra a Mulher. Os realizadores foram agraciados com R$ 10 mil pelos direitos de exibição nas plataformas de comunicação da Casa.
As obras começarão a ser transmitidas na TV Câmara a partir de domingo, dia 8, às 8h.
Durante a cerimônia de premiação, os participantes destacaram que a violência contra a mulher é um reflexo de questões culturais, enraizada na desvalorização feminina e nos desequilíbrios de poder entre gêneros.
Na visão do secretário de Comunicação Social da Câmara e deputado Marx Beltrão (PP-AL), a iniciativa do concurso expande a discussão sobre o tema. “É fundamental abordarmos o cuidado com as mulheres e a luta contra o feminicídio. Atualmente, aproximadamente quatro mulheres perdem a vida diariamente no Brasil. Ao divulgar nas redes sociais, a informação circula mais rapidamente e contribui para a conscientização pública, o que também é uma atribuição da Câmara.”
Daniela Guerson, diretora da Coordenação de Transmissão em Tempo Real da Câmara, ressaltou que a cultura possui um papel transformador na mentalidade social e pode ser uma ferramenta eficaz no combate à violência.
Ana Lustosa, chefe de gabinete da Secretaria da Mulher, também enfatizou a importância do audiovisual. “O cinema e a televisão são mídias acessíveis que chegam aos lares, permitindo que o público se conecte com as histórias das personagens. Essa abordagem possibilita apresentar a violência de gênero em suas diversas formas e aproximar a sociedade brasileira dessa realidade.”
O certame é resultado de uma colaboração entre a Secretaria de Comunicação Social, através da TV Câmara, e a Secretaria da Mulher.
Obras premiadas
Região Centro-Oeste: o curta-metragem de ficção Até Amanhã, da cineasta goiana Patrícia Alves da Silva, aborda a violência psicológica.
Segundo Alves, o roteiro foi inspirado em vivências pessoais. “O roteiro foi baseado em experiências minhas. Utilizei o recurso do loop temporal para ilustrar o ciclo da violência, transmitindo a sensação de reviver o mesmo dia repetidamente.”
Região Norte: o documentário Marcas da Alma, do diretor tocantinense Hermes Filho Leal, traz relatos de mulheres que sofreram agressões físicas.
O filme também detalha o funcionamento da Lei Maria da Penha e apresenta mecanismos de proteção, como as delegacias especializadas no atendimento à mulher.
Região Sudeste: o longa Escola de Homens, dirigido por Sara Stopazzolli, do Rio de Janeiro, retrata encontros de um grupo que participa de um curso no Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Nova Iguaçu (RJ).
Esses cursos são previstos na Lei Maria da Penha para homens que cometeram crimes de menor potencial ofensivo.
Região Nordeste: o filme Quem eu sou?, da diretora Lisiane Fagundes Cohen, foi o selecionado.
Produzida em Salvador (BA), a obra explora as sequelas psicológicas decorrentes da violência sexual.
Região Sul: o documentário Atrás da Porta, que compila atuações de artistas interpretando relatos reais de mulheres que enfrentaram diferentes formas de violência, como a patrimonial, psicológica e física.
A produção também evidencia os caminhos de superação encontrados por elas e as consequências dos abusos em suas trajetórias.