O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são as principais facções criminosas do país e responsáveis pelo tráfico de drogas internacionais. Com o fim da Família do Norte (FDN), que já foi a terceira maior facção do país, a região Norte, principalmente a floresta Amazônia, acabou virando campo de batalha entre o CV e o PCC.
Mas, para entender melhor essa guerra silenciosa, vamos voltar um pouco no tempo. Em meados de 2010, com o PCC buscando espaço nas rotas fluviais, a FDN se aliou ao CV, mas a parceria acabou em crise no sistema penitenciário local. Lideranças do CV em presídios federais se conectaram a nomes fortes da FDN e traficantes de Bolívia, Peru e Venezuela, dominando a Rota Solimões e movimentando milhões mensalmente.
A briga interna acabou com a ruptura entre CV e FDN, levando a uma escalada de violência, como o massacre do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em 2017. Após rebeliões, líderes da FDN foram transferidos para presídios federais e a facção quase desapareceu, dando origem ao Cartel do Norte (CDN).
Briga se intensificou
No vácuo deixado pela FDN, o Comando Vermelho consolidou seu poder e iniciou uma disputa silenciosa com o PCC, que tenta avançar, mas evita confronto direto devido à vastidão da Amazônia. O duelo entre as duas facções envolve controle de fronteiras, alianças internacionais e domínio de comunidades vulneráveis.
A violência acompanha esse avanço. Em 2023, a Amazônia registrou mais de 8 mil mortes violentas, índice 41,5% acima da média nacional. Segundo a inteligência do Exército colombiano, o narcotráfico ganhou força nos anos 2000, quando Fernandinho Beira-Mar fez alianças com as Farc, ampliando o acesso a laboratórios e rotas fluviais, o que favoreceu também grupos como os Piratas do Solimões.
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