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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
Política

CPI do Crime avança sobre braço financeiro do PCC na Faria Lima e o grupo “A Turma” do Banco Master

A comissão também quebrou os sigilos fiscal, bancário e telefônico de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado de Daniel Vorcaro que teria tirado a própria vida após ser detido pela Polícia Federal.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
CPI do Crime avança sobre braço financeiro do PCC na Faria Lima e o grupo “A Turma” do Banco Master
© Geraldo Magela/Agência Senado
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Nesta quarta-feira (11), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada à investigação do Crime Organizado no Senado Federal deu sinal verde para mais de duas dezenas de requerimentos. As medidas incluem quebras de sigilo, solicitações de dados e convocações, com foco no esquema financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região da Faria Lima e no grupo intitulado “A Turma”, associado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

“A Turma” designa o coletivo de comunicação de Vorcaro, empregado para vigiar e coagir aqueles que se opunham ao banqueiro, e foi um elemento central na determinação de sua prisão.

Adicionalmente, a CPI determinou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, um colaborador de Vorcaro que tirou a própria vida na semana anterior, após ser detido pela Polícia Federal (PF). O colegiado também solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalhes acerca do ocorrido com Sicário.

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Fabiano Campos Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master, teve sua convocação aprovada pela CPI, atendendo a requerimentos submetidos por parlamentares.

O senador Humberto Costa (PT-PE) fundamentou a decisão, explicando que “apurações da Operação Carbono Oculto indicam que Fabiano Zettel mantém vínculos financeiros diretos com a Reag Investimentos e o Banco Master, entidades consideradas ramificações financeiras do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima”.

Banco Central sob escrutínio

A comissão parlamentar também aprovou a convocação de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), e de Bellini Santana, antigo chefe do Departamento de Supervisão Bancária, ambos já desligados de suas funções.

Ao requerer a presença desses ex-servidores do BC, o senador Humberto Costa mencionou que um relatório da PF sugere que eles teriam atuado como consultores não oficiais para Daniel Vorcaro.

Costa detalhou que a atuação deles visava “facilitar a aquisição do então Banco Máxima, que mais tarde se tornou Banco Master, e compartilhar dados confidenciais com o banqueiro, fornecendo-lhe subsídios sobre as ações conduzidas pelo Banco Central”.

Além disso, a CPI autorizou a quebra dos sigilos da Varajo Consultoria, empresa associada a Vorcaro, que supostamente teria proposto pagamentos a um funcionário do BC. Leonardo Augusto Furtado Palhares, líder da companhia, também foi convocado pelo colegiado.

Conexões na Faria Lima

Empresários e indivíduos suspeitos de envolvimento com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, polo financeiro de São Paulo, tiveram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico violados.

Diversos requerimentos foram aprovados, resultando na quebra de sigilos de investigados identificados pela Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que revelou um complexo esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.

Entre os que tiveram seus sigilos quebrados está Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, apontado como gestor de distribuidoras de combustíveis que supostamente lavavam recursos para a facção criminosa paulista.

O senador Humberto Costa salientou que “o esquema, responsável pela movimentação de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, empregava uma extensa rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para mascarar a origem ilegal dos valores, evidenciando uma atuação financeira altamente elaborada, concentrada na Avenida Faria Lima, em São Paulo”.

Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais articuladores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC e com supostas ligações com o Banco Master, também teve seus sigilos quebrados.

Francisco Maximiano, proprietário da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, considerado “sócio oculto” da mesma empresa, ambos associados ao esquema revelado pela Carbono Oculto, também foram alvos de quebra de sigilo pela CPI. A Precisa Medicamentos já havia sido investigada por corrupção na aquisição de vacinas durante a pandemia.

Humberto acrescentou que “as companhias de Francisco Maximiano foram empregadas como instrumentos para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e para a execução de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o erário público”.

O grupo “A Turma” em foco

Nesta quarta-feira, a CPI também concentrou suas atenções nos indivíduos envolvidos com o grupo “A Turma”, empregado para monitorar e intimidar opositores do banqueiro Daniel Vorcaro, que é suspeito de comandar um esquema de fraudes no mercado financeiro, com valores que podem alcançar R$ 50 bilhões.

Há registros de que o grupo chegou a planejar simular um assalto com o intuito de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que havia veiculado matérias consideradas desfavoráveis a Vorcaro.

A CPI aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que supostamente estaria envolvida nos pagamentos destinados a financiar as operações do grupo “A Turma”.

O colegiado também autorizou a quebra dos sigilos de Marilson Roseno da Silva, um escrivão aposentado da PF que foi detido preventivamente, apontado como um dos principais articuladores do grupo.

A CPI também determinou a quebra dos sigilos de outras companhias vinculadas ao Banco Master, como a King Participações Imobiliárias e a King Motors Locação de Veículos. Além disso, foram quebrados os sigilos de empresas do proprietário de uma aeronave utilizada para transportar aliados de Vorcaro, e a comissão requisitou a lista dos passageiros beneficiados.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou que “notícias veiculadas pela imprensa e evidências coletadas na Operação Compliance Zero indicam que altas autoridades da República teriam feito uso de aeronaves particulares”.

Para complementar as investigações, a comissão convidou o empresário Vladimir Timerman para depor, figura que há anos vem denunciando as irregularidades no Banco Master.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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