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Domingo, 08 de Fevereiro 2026

Economia

Dívida pública federal cresce 18% em 2025, ultrapassando R$ 8,6 trilhões

Aumento do endividamento federal é impulsionado por juros e emissão líquida de títulos superior aos resgates.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Dívida pública federal cresce 18% em 2025, ultrapassando R$ 8,6 trilhões
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
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O expressivo volume de juros, aliado à emissão de títulos públicos, resultou em um aumento significativo da Dívida Pública Federal (DPF) em 2025. Conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional, a DPF encerrou o ano passado em R$ 8,635 trilhões, representando um acréscimo de 18% em comparação com os R$ 7,316 trilhões registrados no final de 2024.

A principal causa para o crescimento do endividamento federal foi a incorporação de juros, que totalizaram R$ 879,9 bilhões no período. Adicionalmente, o Tesouro Nacional emitiu R$ 439,06 bilhões a mais em títulos do que resgatou ao longo de 2025, contribuindo para a alta.

A DPF apresentou uma elevação de 1,82% somente em dezembro. Apesar desse crescimento, o indicador final de 2025 manteve-se dentro das projeções estabelecidas no Plano Anual de Financiamento (PAF) do ano anterior, que previa um valor entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. É importante notar que o PAF foi revisado em setembro de 2025, com a versão original estabelecendo um teto de R$ 8,5 trilhões para a dívida pública ao final do ano.

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A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos, expandiu-se em 19,26% durante o ano passado, passando de R$ 6,967 trilhões no final de 2024 para R$ 8,309 trilhões ao término de 2025. Em dezembro, a variação mensal foi de 1,76%. Nesse período, o Tesouro registrou uma emissão líquida de R$ 60,82 bilhões em títulos, majoritariamente atrelados à Taxa Selic, acrescida de R$ 82,82 bilhões referentes à apropriação de juros.

A apropriação de juros é o mecanismo pelo qual o governo reconhece mensalmente a correção dos juros incidentes sobre os títulos, incorporando esse valor ao saldo da dívida pública. Com a Taxa Selic em 15% ao ano, essa prática exerce pressão sobre o endividamento governamental.

Em dezembro, a emissão de títulos da DPMFi pelo Tesouro somou R$ 65,37 bilhões. Devido ao baixo volume de vencimentos de títulos prefixados no mês, os resgates foram limitados a R$ 4,55 bilhões.

Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma retração de 6,62% em 2025, caindo de R$ 349,19 bilhões no final de 2024 para R$ 326,07 bilhões ao final de 2025. Essa redução foi favorecida pela desvalorização do dólar ao longo do ano. Contudo, em dezembro, o indicador registrou alta de 3,53%, impulsionada pela valorização de 3,16% do dólar no mês, em meio a tensões geopolíticas e pela antecipação de remessas de recursos para o exterior antes da entrada em vigor da reforma do Imposto de Renda.

Colchão de liquidez

Após dois meses consecutivos de aumento, a reserva financeira do governo, conhecida como colchão da dívida pública, diminuiu em dezembro. Essa reserva, utilizada para gerenciar turbulências ou picos de vencimentos, caiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão no mês seguinte. O Tesouro Nacional atribuiu essa redução à baixa emissão líquida de títulos em dezembro.

Atualmente, o colchão de liquidez é suficiente para cobrir 7,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está programado o vencimento de R$ 1,507 trilhão em títulos federais.

Composição da Dívida

A emissão expressiva de títulos atrelados à Selic alterou a composição da DPF entre novembro e dezembro:

• Títulos vinculados à Selic: Aumentaram de 48,14% para 48,25%;

• Títulos corrigidos pela inflação: Diminuíram de 26,1% para 25,93%;

• Títulos prefixados: Recuaram de 22,07% para 22,05%;

• Títulos vinculados ao câmbio: Subiram de 3,7% para 3,76%.

As projeções do PAF indicam que, ao final do ano, a composição da dívida se situará nos seguintes intervalos:

• Títulos vinculados à Selic: Entre 48% e 52%;

• Títulos corrigidos pela inflação: Entre 24% e 28%;

• Títulos prefixados: Entre 19% e 23%;

• Títulos vinculados ao câmbio: Entre 3% e 7%.

Geralmente, os títulos prefixados oferecem maior previsibilidade para a dívida pública, pois suas taxas são definidas antecipadamente. Contudo, em cenários de instabilidade financeira, sua emissão tende a diminuir devido à demanda por juros elevados por parte dos investidores, o que poderia comprometer a gestão da dívida governamental.

Os títulos indexados à Selic têm atraído investidores em virtude das recentes elevações na taxa básica de juros, promovidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial engloba tanto títulos internos reajustados em dólar quanto a dívida externa.

Prazo médio

O prazo médio de vencimento da Dívida Pública Federal variou de 4,08 anos em novembro para 4 anos em dezembro. Essa métrica, divulgada em anos, representa o tempo médio necessário para o governo refinanciar seus compromissos. Prazos mais longos geralmente sinalizam maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar suas obrigações.

Composição dos detentores

A distribuição dos detentores da Dívida Pública Federal interna foi a seguinte:

• Instituições financeiras: 32,88% do total;

• Fundos de pensão: 22,76%;

• Fundos de investimentos: 20,79%;

• Não-residentes (investidores estrangeiros): 10,35%;

• Outros grupos: 13,22%.

Apesar das tensões observadas no mercado financeiro em dezembro, a participação dos investidores estrangeiros aumentou em relação a novembro, quando representavam 10,05%. Em novembro de 2024, essa fatia havia atingido 11,2%, o nível mais alto desde 2018.

A dívida pública é o instrumento pelo qual o governo capta recursos de investidores para cumprir suas obrigações financeiras. Em contrapartida, compromete-se a reembolsar esses valores acrescidos de correção, que pode estar atrelada à Taxa Selic, à inflação, ao dólar ou ser prefixada.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
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