Um evento destinado a anunciar novos investimentos no Polo Naval de Rio Grande foi marcado por um momento de constrangimento político. Durante a cerimônia realizada nesta terça-feira (20/1), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi recebido com manifestações de desaprovação por parte da audiência assim que foi convidado a falar, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em vez de abreviar sua participação, Leite optou por abordar a situação.
Interrompendo sua fala preparada, o governador pediu calma e apelou por respeito entre as autoridades eleitas. Ele ressaltou sua representação da população gaúcha e lembrou que tanto ele quanto o presidente foram eleitos democraticamente. Com firmeza, Leite declarou que a hostilidade contra opiniões divergentes não contribui para a união, mas sim para o aprofundamento das divergências.
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“Senhoras e senhores, permitam-me fazer uma observação. Na eleição passada, o Brasil escolheu um presidente com 50,8% dos votos. Os outros 49% da população optaram por um candidato diferente. Se o objetivo é a união e a reconstrução, evitem hostilizar aqueles que pensam de outra forma. Isso não leva a lugar algum”, declarou Leite, em alusão ao lema governamental para o período de 2023 a 2025.
Apesar dos protestos, o governador prosseguiu com seu discurso, focando na necessidade de reformular a política nacional de incentivos fiscais. Ele argumentou que o Rio Grande do Sul se encontra em desvantagem histórica na atração de investimentos industriais em comparação com outras regiões do país.
Concluindo sua participação em meio a um clima de tensão, o governador agradeceu a presença do presidente e dos ministros, reafirmando que Lula é bem-vindo ao Rio Grande do Sul. Em um momento de maior clímax, Lula manifestou seu apoio ao apelo por respeito com aplausos, sem intervir diretamente na reação da plateia.