A Enel informou ao governo de São Paulo que não pretende vender o controle da concessão de distribuição de energia elétrica no estado. A sinalização foi feita após especulações de que a venda da participação majoritária poderia ser uma saída rápida para a crise enfrentada pela concessionária, marcada por sucessivos apagões na capital paulista.
Nos últimos dois anos, São Paulo registrou ao menos cinco grandes interrupções no fornecimento de energia, episódios que geraram forte desgaste político, pressão popular e críticas à atuação da empresa. Diante desse cenário, a possibilidade de mudança no controle da concessão chegou a ser discutida nos bastidores como uma alternativa para acelerar soluções estruturais.
Apesar disso, a Enel deixou claro à gestão estadual que não há planos de repassar o controle da operação no curto ou médio prazo. A concessionária reafirmou o compromisso com a concessão vigente e indicou que pretende seguir responsável pela distribuição de energia no estado.
O posicionamento frustra expectativas de setores do governo que viam a venda como uma forma de resposta imediata à crise no fornecimento elétrico. A administração paulista tem cobrado investimentos, melhoria na manutenção da rede e maior rapidez no restabelecimento da energia em situações de emergência.
A Enel é alvo de investigações, processos administrativos e cobranças de órgãos reguladores, além de ações judiciais movidas por consumidores afetados pelos apagões. Mesmo assim, a empresa sustenta que vem adotando medidas para reforçar a infraestrutura e reduzir falhas no sistema.
A concessão de energia em São Paulo segue sob monitoramento do governo estadual e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que avaliam o cumprimento de metas, investimentos previstos em contrato e a qualidade do serviço prestado à população.
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