O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, apresentou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (23), com o objetivo de se candidatar a uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
Com a sua saída, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), assumirá interinamente a chefia do executivo estadual.
Essa sucessão se dá em virtude da saída do vice-governador, Thiago Pampolha, que assumiu uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e deixou o cargo em 2025, além da licença do deputado Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Bacellar prorrogou seu pedido de licença e está afastado de suas funções desde 10 de dezembro de 2025. Ele foi detido durante a Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 3 de dezembro.
O parlamentar é suspeito de ter divulgado informações sigilosas relativas a uma investigação sobre o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Este último é acusado de facilitar a aquisição e venda de armamentos para o Comando Vermelho (CV), a principal organização criminosa do Rio de Janeiro.
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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prender e afastar Bacellar da presidência da Alerj foi embasada em mensagens interceptadas pelos investigadores.
Conforme a legislação vigente, o presidente do TJRJ tem o prazo de dois dias para convocar uma eleição indireta. Nela, os 70 deputados estaduais deverão selecionar, em um período de 30 dias, um nome para gerir o governo em um mandato tampão, até que o próximo governador seja definido nas eleições de outubro.
Réu em processo eleitoral
Claudio Castro figura como réu em um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e corre o risco de ser declarado inelegível por abuso de poder político e econômico durante sua campanha de reeleição em 2022.
Ao deixar o governo, o pedido de cassação do mandato de Castro perde sua validade. Contudo, ele ainda pode ser condenado à inelegibilidade, o que o impediria de concorrer nas eleições deste ano.
O TSE tem previsão de retomar o julgamento nesta terça-feira (24), a partir das 19h.
O julgamento foi interrompido em 10 de dezembro, após um pedido de vista do ministro Nunes Marques. Até o momento, o placar indica 2 votos a 0 pela cassação de Castro, com cinco votos pendentes.
O processo judicial também envolve o ex-vice-governador Thiago Pampolha, o deputado Rodrigo Bacellar – que atuou como secretário de Governo de Castro – e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj).
Os réus são acusados de supostas irregularidades em contratações realizadas na Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O Ministério Público Eleitoral alega que Castro obteve vantagem eleitoral ao contratar servidores temporários de forma irregular e ao descentralizar projetos sociais, direcionando recursos para entidades não vinculadas à administração pública do Rio de Janeiro.
Segundo a denúncia, a descentralização de verbas permitiu a contratação de 27.665 pessoas, com um custo total de R$ 248 milhões.