Relatos cada vez mais frequentes expõem um cenário brutal dentro das próprias fileiras russas na guerra da Ucrânia: soldados sendo torturados, extorquidos, humilhados e até assassinados por seus próprios comandantes. A prática, segundo especialistas e organizações que monitoram violações de direitos humanos no conflito, tornou-se comum e amplamente tolerada pelas autoridades militares do país.
O caso de Andrei Bykov, denunciado pela mãe, Tatiana Bykova, escancara a violência interna que se tornou rotina entre combatentes russos. Em um vídeo, a mulher afirma que o filho foi “anulado” pelos superiores. Ela nomeia os responsáveis, diz odiá-los e relata como os comandantes de Andrei passaram a extorqui-lo após ele receber uma indenização por ferimentos sofridos em combate. De acordo com Tatiana, os oficiais exigiram metade do valor e, depois, passaram a pressioná-lo para entregar o carro que ele havia comprado com o dinheiro.
Quando o soldado se recusou a dar o veículo, acabou morto. Mesmo com a denúncia formalizada ao Comitê de Investigação da Federação Russa e à Procuradoria-Geral, nada aconteceu. O jovem foi simplesmente declarado desaparecido pelas Forças Armadas. Para a família, a versão oficial esconde um padrão de abusos que raramente chega a ser investigado.
Organizações internacionais apontam que casos como o de Andrei são reflexo de uma estrutura militar marcada por punições extrajudiciais, métodos de coerção e castigos violentos aplicados para “disciplinar” tropas consideradas indisciplinadas, desmotivadas ou críticas ao comando. Com o desgaste do conflito e as sucessivas baixas, recrutas e mobilizados passaram a sofrer represálias ainda mais severas — muitas vezes autorizadas tacitamente por superiores.
Vídeos, mensagens e depoimentos que circulam entre familiares e grupos de direitos humanos mostram soldados espancados, privados de alimentação, presos em porões e até executados em situações tratadas oficialmente como “deserção” ou “acidentes”. Na avaliação de especialistas, o objetivo é manter o controle interno pelo medo, ao mesmo tempo em que o governo evita expor a realidade de desorganização e insatisfação dentro das tropas.
Enquanto o Kremlin nega qualquer irregularidade, famílias como a de Andrei lutam para provar crimes que, na prática, ficam encobertos pela máquina militar. Sem respostas oficiais, Tatiana e outras mães de soldados desaparecidos transformam suas histórias em denúncias públicas — uma das poucas formas de romper o silêncio imposto pela guerra.
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