Em meio a preparativos para um diálogo crucial sobre um novo acordo nuclear, agendado para esta sexta-feira (6/2) em Omã, um fato inesperado ganhou destaque. Poucas horas antes do encontro que reuniria Jared Kushner, conselheiro e genro do então presidente Donald Trump, e o chanceler iraniano Abbas Araghchi, a embaixada dos Estados Unidos emitiu um alerta urgente, instruindo seus cidadãos a deixarem o Irã.
A nota oficial exigia a saída imediata de todos os cidadãos norte-americanos do território iraniano. A franqueza do aviso gerou apreensão, pois o governo explicitou a impossibilidade de oferecer assistência em uma eventual evacuação. A recomendação era para que os civis buscassem saídas por conta própria, com sugestões de rotas terrestres através da Armênia ou da Turquia.
A medida foi motivada pela crescente restrição e bloqueio do espaço aéreo e das telecomunicações por parte do regime iraniano. Para aqueles que não conseguissem partir, a orientação era estocar suprimentos essenciais como água, alimentos e medicamentos, e procurar abrigo seguro. Este encontro em Omã representava a primeira iniciativa oficial de reaproximação desde a denominada "Guerra de 12 Dias", ocorrida em junho do ano anterior, quando aeronaves americanas atacaram instalações nucleares iranianas.
Contudo, o cenário para as negociações parecia já comprometido antes mesmo de seu início: o então presidente Trump impunha o fim do enriquecimento de urânio e do suporte a milícias, alertando para a possibilidade de novos ataques militares caso suas exigências não fossem cumpridas. Por sua vez, o Irã considerava essas condições uma afronta à sua soberania e prometia retaliação contra alvos americanos e israelenses em caso de qualquer nova ofensiva.