A apuração do assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no interior de Goiás, teve um avanço significativo com a confissão de Cléber Rosa de Oliveira, síndico do edifício onde a vítima residia. Ele admitiu a autoria do crime após 43 dias de diligências da Polícia Civil, revelando o local onde o corpo foi descartado.
- O síndico havia proibido a corretora de atuar profissionalmente no condomínio antes do assassinato; um áudio comprova a restrição.
Comportamento indiferente do síndico levantou suspeitas
Enquanto Daiane era dada como desaparecida, Cléber exibiu uma conduta que despertou a estranheza tanto de moradores quanto dos responsáveis pela investigação. Em uma mensagem de áudio direcionada ao grupo do condomínio, ele solicitou que as discussões sobre o desaparecimento da corretora fossem encerradas. Esses detalhes foram divulgados neste domingo (1º) pelo programa Fantástico, da TV Globo.
“É um assunto bem desagradável. Peço que parem com os comentários a respeito no grupo”, declarou o síndico na gravação.
Essa atitude se contrapunha à angústia e mobilização da família e dos amigos da vítima, que se empenhavam em obter notícias sobre seu paradeiro.
Desavenças pré-existentes no ambiente condominial
De acordo com os parentes, as divergências entre Daiane e o síndico tiveram início em novembro do ano passado, quando ela assumiu a administração de propriedades de sua própria família no empreendimento. Cléber era quem anteriormente desempenhava essa função. Posteriormente, outros residentes também optaram por transferir a gestão de seus imóveis para a corretora, o que supostamente acirrou os atritos.
“A controvérsia sobre os aluguéis derivava do fato de ele se sentir desafiado, pois Daiane jamais se curvou às suas vontades ou aceitou suas imposições. Creio que isso feriu profundamente o ego dele”, declarou Fernanda Souza, irmã da vítima.
O reconhecimento do crime e as detenções
Depois de várias semanas de diligências, a Polícia Civil efetuou a prisão de Cléber Rosa de Oliveira. Ele confessou o assassinato e conduziu os policiais a um trecho de mata, aproximadamente 15 metros de uma rodovia, local onde o corpo havia sido deixado. Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico, também foi detido, sob suspeita de encobrir o delito e atrapalhar as investigações.
“Foram quarenta e três dias de espera por uma resposta sobre o que ocorreu com ela, enquanto o síndico seguia sua rotina, cortando a grama, ciente de que minha filha estava largada no matagal”, expressou Nilse Pontes, mãe de Daiane, em um desabafo.
Os defensores de Cléber asseguraram que ele tem cooperado com as autoridades. Por outro lado, os advogados de Maicon refutam qualquer envolvimento dele no homicídio.
Os derradeiros registros da vítima mostraram-se cruciais
A derradeira imagem de Daiane viva foi capturada em 17 de dezembro passado, por uma câmera de segurança no elevador do edifício. Ela desceu ao subsolo e, a partir de então, não foi mais avistada. No mesmo dia, a corretora gravou vídeos relatando uma nova interrupção no fornecimento de energia em seu apartamento e encaminhou as gravações a uma amiga residente em Uberlândia, Minas Gerais.
“Ela estava gravando em tempo real e me enviando. A intenção dela era ir até a recepção para indagar sobre o ocorrido”, relatou a amiga, Georgiana dos Passos Silva.
Conforme o delegado André Barbosa, encarregado do inquérito, essas gravações foram essenciais para o desenrolar das apurações. O terceiro vídeo, que Daiane aparentemente filmava, jamais foi entregue, fortalecendo a tese de homicídio.
Evidências periciais e questões pendentes de esclarecimento
Registros do veículo do síndico igualmente colaboraram para a investigação. O automóvel foi filmado rumo a uma rodovia e retornando poucos minutos depois, em um intervalo de tempo considerado inconsistente com o percurso habitual. Depoimentos de testemunhas indicaram que nenhum disparo foi ouvido no período do desaparecimento.
A análise pericial confirmou a presença de um projétil na cabeça da corretora, contudo, o local exato do disparo permanece incerto. O aparelho celular da vítima foi localizado na tubulação de esgoto da garagem do condomínio, enquanto a arma utilizada no crime continua sumida.
Das dez câmeras de segurança instaladas no condomínio, somente três foram entregues às autoridades. Os especialistas forenses investigam a possibilidade de que os equipamentos tenham sido desligados ou adulterados.
Gravação revela proibição de trabalho anterior ao assassinato
Um outro indício descoberto pela investigação é um áudio captado semanas antes do homicídio, no qual Cléber declara que Daiane estava impedida de exercer suas atividades profissionais no condomínio. Na gravação, ele instrui a equipe da recepção a não oferecer qualquer tipo de suporte ou serviço à corretora.
“Ela está terminantemente proibida. A recepção não deve prestar nenhum tipo de serviço ou atendimento a ela, não entregará fichas, não fará absolutamente nada”, declarou o síndico no áudio.
Relatos de temor precederam o homicídio
Previamente ao seu desaparecimento, Daiane havia formalizado à Justiça que era alvo de ameaças. Em uma mensagem eletrônica endereçada ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, a corretora expressou temor por sua integridade física e pleiteou a adoção de medidas protetivas.
Conforme o teor do documento, as hostilidades eram proferidas por Maicon Douglas, filho do síndico, que igualmente trabalhava com locações no condomínio. Daiane narrou que as agressões visavam afastá-la de suas atividades profissionais no empreendimento.
O inquérito permanece em curso pela Polícia Civil, que se dedica a elucidar todos os pormenores da dinâmica criminosa e a possível participação de outras pessoas.
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