O Irã fechou seu espaço aéreo para todos os voos nesta quarta-feira (15), conforme informações do site de monitoramento FlightRadar24. A restrição, que teve duração de pouco mais de duas horas, permitiu apenas a passagem de voos internacionais de entrada e saída previamente autorizados. Este movimento ocorreu em um momento de alerta máximo, com o 'Pizzômetro' indicando uma iminente possibilidade de ataque por parte dos Estados Unidos.
- O 'Pizzômetro' aponta para a possibilidade de um ataque dos EUA ao Irã a qualquer instante; entenda a situação.
A decisão de fechar o espaço aéreo surge em um dia marcado por uma significativa intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã, alimentada por especulações de um possível ataque militar americano nas próximas horas. O regime iraniano interpretou o fechamento como um sinal de alerta de grande magnitude.
Tensão no Oriente Médio
Horas antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado ter recebido dados de “fontes seguras” indicando uma diminuição da violência contra manifestantes no Irã. Segundo ele, não haveria planos de execuções, embora a origem dessas informações não tenha sido detalhada.
Pelo lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, comunicou à emissora Fox News que, após dias de protestos, o país vivia um período de “calma” e que o governo exercia “controle total” da situação.
Apesar das alegações de uma possível trégua, a movimentação militar permaneceu intensa. Na madrugada daquela quarta-feira, um drone da Marinha dos EUA, modelo MQ-4C Triton, utilizado para vigilância, sobrevoou uma área próxima à costa iraniana, tendo decolado dos Emirados Árabes Unidos.
Diante de ameaças iranianas, os Estados Unidos também ordenaram a evacuação parcial de uma base militar no Catar, que já havia sido alvo de mísseis em junho de 2025. O assessor do líder supremo do Irã, Ali Shamjani, ressaltou que o ataque anterior demonstrou a “capacidade do Irã de responder a qualquer agressão”.
Enquanto isso, organizações de direitos humanos denunciam uma severa repressão aos protestos, agravada por um corte de internet que perdurava por sete dias. Conforme uma ONG, pelo menos 3.428 manifestantes perderam a vida durante as ações das forças de segurança.
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, após visitar uma prisão em Teerã, prometeu julgamentos céleres e públicos para os manifestantes categorizados como “arruaceiros”.
A crise atual tem suas raízes em uma grave conjuntura econômica, intensificada por sanções internacionais e uma inflação que ultrapassa os 40%, fatores que impulsionaram comerciantes e estudantes às ruas no final de dezembro.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil expressou preocupação com os acontecimentos e informou que não havia registros de brasileiros mortos ou feridos no país. Em comunicado, o Itamaraty lamentou as mortes e defendeu um diálogo pacífico.
Governado desde 1979 por um regime teocrático islâmico, o Irã enfrenta o que especialistas consideram um dos maiores desafios internos em décadas, em meio a pressões externas e considerável instabilidade política.
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