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Sexta-feira, 10 de Abril 2026

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Judocas brasileiras inspiram e superam preconceitos no esporte

Rafaela Silva e Jéssica Pereira abordam suas trajetórias, desafios e a luta contra o preconceito em evento no Rio de Janeiro, em celebração ao Dia Internacional da Mulher.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Judocas brasileiras inspiram e superam preconceitos no esporte
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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“Quando comecei a participar desses eventos, percebi que não podia parar, pois, por meio da minha história, das minhas conquistas e medalhas, eu estava motivando outras gerações.”

Essa declaração é da renomada judoca brasileira Rafaela Silva, que, ao lado de Jéssica Pereira, ambas integrantes da seleção brasileira de judô, participou de um encontro dedicado à equidade de gênero e ao desenvolvimento social. O evento foi realizado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março.

No debate, que ocorreu na última quinta-feira (12) nas instalações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as atletas discutiram a complexidade de suas carreiras, as dificuldades inerentes à manutenção em um esporte de alto rendimento e os preconceitos sociais e de gênero que enfrentaram ao longo de suas jornadas.

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Com um total de 28 medalhas olímpicas, o judô se destaca como a modalidade que mais trouxe pódios para o Brasil em Olimpíadas. Das cinco medalhas de ouro conquistadas, três foram garantidas por atletas femininas: Sarah Menezes (2012), Rafaela Silva (2016) e Beatriz Souza (2024).

A discussão foi conduzida por Camila Dantas, gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

A força feminina no judô

Aos 33 anos, Rafaela relembrou que seu primeiro contato com o judô foi aos 5, por meio de um projeto social próximo à sua residência, na Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Após se sentir deslocada nas aulas de futebol, onde era a única menina, ela notou que no judô as crianças interagiam e se divertiam juntas, independentemente do gênero.

Jéssica Pereira, de 31 anos, tricampeã pan-americana e heptacampeã brasileira, compartilhou que sua incursão no esporte, aos 7 anos, foi uma estratégia para se afastar da violência em sua comunidade, na Ilha do Governador, perto do Morro do Dendê. Ela explicou que sua mãe a matriculou, juntamente com cinco irmãos, no judô para mantê-los ocupados durante o dia.

“Receber uma mensagem no Instagram de alguém dizendo que sou uma inspiração ou uma criança afirmando: 'Entrei no judô porque te vi lutar' são momentos extremamente gratificantes. Percebemos que isso serve de estímulo para as novas gerações que estão surgindo.”

Rafaela Silva narrou que, no início de sua trajetória na seleção brasileira, em 2008, os treinamentos no Japão eram restritos aos homens. Naquela época, a confederação não acreditava que as mulheres tivessem o nível necessário para treinar no berço do esporte. Contudo, a atleta destacou que esse cenário se transformou com o passar do tempo.

“O judô feminino é equivalente ao masculino. Lutamos pelo mesmo tempo, recebemos a mesma premiação, desfrutamos das mesmas oportunidades, e ainda assim, algumas pessoas mantêm essa visão limitada”, complementou.

Superando desafios e celebrando conquistas

Rafaela recordou que, ao longo de sua carreira, enfrentou olhares de desconfiança e preconceito por ser uma atleta mulher. Essa discriminação vinha tanto de membros da família quanto em competições internacionais.

“Muitas de nossas tias diziam: 'Não, isso é coisa de homem, ficar se agarrando, se batendo'. Até que, com o tempo, elas começaram a compreender nossa jornada na modalidade e mudaram sua percepção.”

Apesar dos obstáculos, as conquistas do judô feminino são notáveis. A ex-judoca Mayra Aguiar, por exemplo, é a maior medalhista brasileira da modalidade, com três bronzes olímpicos em duas edições: Londres 2012 e Tóquio 2020.

Ela foi também a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em esportes individuais, um feito que hoje compartilha com a ginasta Rebeca Andrade.

Ações da federação internacional

A Federação Internacional de Judô tem se empenhado no desenvolvimento da categoria feminina. Em 2017, o Campeonato Mundial introduziu a competição por equipes mistas, que combina homens das categorias 73 kg, 90 kg e +90 kg com mulheres das categorias 57 kg, 70 kg e +70 kg.

Anteriormente, a competição por equipes era segmentada por gênero. Essa mudança impulsionou países com forte tradição na modalidade, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a investir na formação e profissionalização de atletas femininas.

Com os olhos voltados para as Olimpíadas de 2028 em Los Angeles, Rafaela Silva já observa um aumento na participação de atletas femininas nas competições e, aos 33 anos, não demonstra intenção de se aposentar.

FONTE/CRÉDITOS: Alice Rodrigues* – Agência Brasil
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