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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Justiça acata pedido e arquiva processo sobre morte de ambulante senegalês em São Paulo

Decisão do Ministério Público de arquivar o caso foi criticada por entidades de direitos humanos e movimentos sociais.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Justiça acata pedido e arquiva processo sobre morte de ambulante senegalês em São Paulo
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A Justiça de São Paulo acatou o pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e arquivou o inquérito que apurava a morte de Ngange Mbaye, um ambulante senegalês e refugiado. Mbaye foi vítima de um disparo efetuado por um policial militar durante uma operação na região do Brás, centro da capital paulista, em abril do ano passado. A decisão foi proferida pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 1ª Vara do Júri da capital.

O ambulante foi atingido no abdômen durante uma abordagem policial enquanto tentava proteger seus pertences e outro vendedor. De acordo com o registro da ocorrência na época, Ngange teria resistido à apreensão de suas mercadorias e empunhado uma barra de ferro, que teria atingido um policial. Em seguida, o policial efetuou o disparo contra Mbaye.

Segundo o promotor Lucas de Mello Schaefer, o policial responsável pelo tiro agiu em legítima defesa, reagindo a uma agressão atual e injusta contra seu direito e o de terceiros ao disparar contra Ngagne Mbaye.

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“Não parece razoável, em qualquer lugar do mundo, que uma pessoa munida de um instrumento contundente, como uma barra de ferro, possa agredir outra pessoa com repetidos golpes na cabeça e no tronco. Quando essas agressões são direcionadas a agentes de segurança do Estado em exercício de suas funções, a gravidade e reprovabilidade da atitude são ainda maiores”, argumentou o promotor em sua manifestação à Justiça.

Repercussão do caso

Vídeos que registraram a abordagem policial e o momento do disparo circularam nas redes sociais, gerando ampla repercussão. Houve manifestações contra a violência policial, incluindo protestos e pronunciamentos internacionais.

Na ocasião, a ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, solicitou explicações ao governo brasileiro sobre o ocorrido. Em comunicado, ela declarou que buscaria, por meio da representação diplomática, esclarecer as circunstâncias da morte.

A organização não governamental Horizon Sans Frontières, que acompanha casos de migração e violência, classificou a morte de Mbaye como “um novo crime cometido contra um cidadão senegalês no Brasil” e descreveu o país como uma “zona de violência endêmica”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania requisitou à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo uma “apuração rigorosa dos fatos”, com foco nas circunstâncias da morte de Ngange Mbaye, além da adoção de medidas para responsabilizar os envolvidos e prevenir casos futuros.

Entidades ligadas ao movimento negro também levaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

Operação Delegada sob escrutínio

O incidente ocorreu durante a Operação Delegada, um convênio entre a prefeitura de São Paulo e o governo estadual que autoriza policiais militares a atuar na fiscalização do comércio ambulante em seu tempo de folga.

Em nota, a Campanha pelo Fim da Operação Delegada, que congrega diversas entidades, organizações e movimentos sociais, como o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, expressou seu repúdio à decisão do Ministério Público de arquivar o caso, que foi aceita pela Justiça.

“É com absoluta indignação que as entidades que compõem a Campanha pelo Fim da Operação Delegada repudiam esta decisão, que precisa ser revertida imediatamente”, declararam as organizações.

Para essas entidades, a morte do imigrante senegalês, que dependia do comércio ambulante para seu sustento, “é uma vergonha para o Estado brasileiro”.

“Ampla e amplamente divulgado, o vídeo da execução de Ngagne Mbaye não deixa dúvidas quanto à desproporcionalidade da ação da Polícia Militar. Uma sequência de golpes de cassetete são desferidos por diferentes policiais contra Ngagne, que pega uma barra de metal caída no chão [note-se, não era uma arma que portava, e sim um objeto que encontrou para se defender em momento de desespero]. O ambulante e seus colegas estavam se afastando dos policiais no momento em que o tiro é efetuado. Ainda assim, o MP alega que o assassino usou ‘força estritamente necessária para cessar a agressão, sem excesso’. Não há qualquer racionalidade ou amparo legal que justifique o disparo letal da arma de fogo nesse caso”, afirmam as entidades.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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