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Domingo, 15 de Fevereiro 2026

Justiça

Moraes determina suspensão de benefícios concedidos em acordo que pôs fim à greve dos Correios

A empresa pública dos Correios acionou o STF para contestar deliberação do TST que estabelecia vantagens como vale-alimentação adicional e gratificação de férias

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Moraes determina suspensão de benefícios concedidos em acordo que pôs fim à greve dos Correios
© Joédson Alves/Agência Brasil
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O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de certas cláusulas do acordo coletivo que pôs fim à paralisação dos funcionários dos Correios no final do ano anterior. A medida foi anunciada na última segunda-feira, dia 26.

Entre os pontos afetados pela suspensão estão o pagamento de vale-alimentação adicional, a remuneração por convocação para trabalho em dias de repouso, a gratificação de férias e aspectos relacionados ao plano de saúde dos empregados.

A decisão de Moraes acatou o pleito de suspensão apresentado pela equipe jurídica da estatal. A argumentação dos Correios defendia que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) excedeu sua competência normativa ao instituir tais benefícios, que entraram em vigor no dia 19 do corrente mês.

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Os representantes legais da empresa também ressaltaram os significativos impactos financeiros sobre as finanças da companhia, que registrou um déficit de R$ 6 bilhões no exercício anterior.

Efeitos financeiros da medida

Os Correios informaram ao ministro que o desembolso referente ao vale-alimentação adicional geraria um custo de R$ 213,2 milhões. A exigência de que a empresa atue como principal mantenedora do plano de saúde dos colaboradores representaria uma despesa de R$ 1,4 bilhão.

O montante de R$ 17 milhões seria destinado ao pagamento de 200% da jornada normal para funcionários chamados a trabalhar em seus dias de descanso semanal. Já a gratificação de férias, correspondente a 70% do salário, acarretaria um custo de R$ 272,9 milhões.

Após avaliar os argumentos apresentados, Moraes corroborou a tese de que houve um excesso nos poderes da Justiça trabalhista e ordenou a interrupção dos benefícios até a conclusão do trâmite processual no Supremo.

"Em relação ao risco de prejuízo, a petição inicial demonstrou pormenorizadamente o significativo impacto financeiro da aplicação de cada uma das parcelas, além da delicada condição econômica pela qual a empresa solicitante atravessa", declarou o ministro.

As demais disposições do acordo coletivo não foram objeto de contestação por parte dos Correios e permanecem em vigor.

A posição do sindicato

Por meio de comunicado oficial, o Sintect-SP, entidade que representa a categoria profissional, expressou sua indignação diante da escolha da diretoria dos Correios de recorrer ao STF para questionar o acordo.

Conforme o sindicato, o TST não introduziu novas vantagens, mas sim preservou as já existentes, visando a impedir a perda de direitos para os trabalhadores.

"A resolução do TST foi proferida unicamente porque a própria empresa se negou a selar um pacto com as representações sindicais durante as rodadas de negociação. Frente ao impasse, a Justiça do Trabalho interveio para assegurar direitos já estabelecidos para os trabalhadores. Contudo, os Correios decidiram levar a questão ao STF, buscando anular essa deliberação e, consequentemente, reavivando o atrito com a categoria", afirmou o sindicato.

FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil
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