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Sexta-feira, 17 de Abril 2026

Saúde

Mortes por câncer colorretal podem triplicar até 2030, aponta estudo

Consumo elevado de ultraprocessados e sedentarismo são apontados como principais fatores de risco pela pesquisadora.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Mortes por câncer colorretal podem triplicar até 2030, aponta estudo
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Brasil poderá registrar um aumento de quase três vezes no número de óbitos por câncer colorretal entre 2026 e 2030, quando comparado aos dados de 2001 a 2005.

Estimativas de cientistas brasileiros e internacionais preveem que aproximadamente 127 mil pessoas sucumbirão à doença nesse quinquênio, um salto em relação aos 57,6 mil falecimentos registrados no período de referência anterior.

Divulgados na publicação The Lancet Regional Health Americas, os números indicam um crescimento projetado de 181% na mortalidade masculina e 165% na feminina. Ao longo de todo o período analisado (2001-2030), as mortes pela condição devem superar a marca de 635 mil.

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A pesquisadora Marianna Cancela, vinculada ao Instituto Nacional do Câncer (Inca), esclarece que a elevação na taxa de mortalidade acompanha o crescimento expressivo de novos casos da enfermidade.

O câncer colorretal figura como o segundo tipo mais frequente e o terceiro mais letal no país. Segundo Cancela, essa realidade é influenciada pelo envelhecimento populacional, mas também por hábitos prejudiciais à saúde.

A especialista destaca o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e a carência de atividade física como elementos cruciais para o desenvolvimento da doença.

“E este é um risco que se manifesta cada vez mais cedo, desde a infância. Consequentemente, observamos não apenas um aumento nos casos de câncer colorretal, mas também em pacientes mais jovens”, alerta.

Outro fator que agrava a alta taxa de óbitos por este tipo de câncer, conforme aponta Marianna Cancela, é o diagnóstico tardio em cerca de 65% dos casos, que ocorre em estágios avançados, dificultando o tratamento. Essa situação decorre tanto das características da doença, que frequentemente não apresenta sintomas iniciais, quanto das barreiras no acesso à assistência médica adequada, especialmente em regiões mais isoladas e com menor desenvolvimento.

Diante disso, os pesquisadores defendem a diminuição dessas disparidades e a implementação progressiva de um programa de rastreamento. Tal programa envolveria a realização de exames preventivos para identificar a doença ou sinais de alerta antes mesmo do surgimento dos sintomas. O grupo também enfatiza a importância do diagnóstico precoce em pacientes sintomáticos e da oferta de tratamento eficaz.

Impactos sociais e econômicos

A pesquisa também quantificou alguns dos custos sociais e econômicos associados à mortalidade por câncer colorretal, calculando a expectativa de vida perdida por esses pacientes. Em média, mulheres brasileiras que faleceram devido à doença deixaram de viver 21 anos, enquanto os homens perderam 18 anos de vida.

No período de 2001 a 2030, as mortes pela condição totalizam 12,6 milhões de anos de vida potenciais perdidos e representam uma perda de produtividade estimada em Int$ 22,6 bilhões. A unidade monetária Int$ refere-se ao dólar internacional, utilizada para comparar valores entre países considerando o custo de vida local. Marianna Cancela ressalta que esses dados são essenciais para dimensionar o impacto do câncer na sociedade, além das perdas humanas.

“Eles também servem de base para políticas públicas, pois revelam o quanto o país está a perder por não avançar na prevenção, no rastreamento e no tratamento”, explica.

O estudo identificou ainda diferenças regionais marcantes nesses indicadores. Enquanto as regiões Sul e Sudeste, com maior densidade populacional e idosos, concentram aproximadamente três quartos das mortes e, consequentemente, sofrem o maior impacto econômico, as regiões Norte e Nordeste devem experimentar os maiores aumentos percentuais na mortalidade e na perda de produtividade.

Para os cientistas, a principal explicação reside nos “indicadores socioeconômicos e de infraestrutura inferiores em comparação com as demais regiões do país”. Contudo, também consideram que as populações dessas áreas têm gradualmente adotado padrões de comportamento prejudiciais, já consolidados no Sul e Sudeste. O tabagismo é o único fator de risco cuja prevalência tem diminuído nas últimas décadas.

“O padrão alimentar no Brasil tem se deteriorado nas últimas décadas, com uma redução no consumo de alimentos saudáveis e um aumento na ingestão de alimentos processados e ultraprocessados. Paralelamente, observou-se um aumento na prevalência do consumo de álcool e da inatividade física”, alertam os autores.

O estudo aponta a promoção de estilos de vida saudáveis como uma política pública que permanece um desafio, mas que deve ser uma estratégia prioritária para a prevenção e o controle do câncer colorretal, assim como de outras formas de câncer e doenças crônicas não transmissíveis.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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