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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
Direitos Humanos

Mulheres em Brasília clamam 'Parem de nos matar' no 8 de março

Manifestantes protestaram contra a violência e pediram o fim da jornada 6x1, considerada prejudicial às mulheres.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Mulheres em Brasília clamam 'Parem de nos matar' no 8 de março
© Valter Campanato/Agência Brasil
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Os frequentes episódios de feminicídio no Brasil foram o foco principal da manifestação que celebrou o Dia Internacional da Mulher em Brasília. Com faixas exibindo a mensagem 'Parem de Nos Matar', centenas de pessoas se reuniram para denunciar a violência de gênero na capital federal neste domingo (8).

O evento, realizado nas proximidades da Torre de TV, no centro de Brasília, contou com a participação de artistas musicais, representantes de partidos políticos, sindicatos e diversas organizações feministas. A manifestação também abordou a demanda pelo fim da escala de trabalho de seis dias consecutivos seguidos por um de descanso (6x1), que é vista como particularmente desgastante para as mulheres.

Críticas ao governo e pautas globais

A administração do Distrito Federal, sob o comando de Ibaneis Rocha, também foi alvo de críticas durante o protesto. A atenção foi voltada para a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), a instituição bancária estatal do DF.

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Além disso, a denúncia do imperialismo ganhou destaque, com menções às ações dos Estados Unidos (EUA) em países como Irã, Cuba e Venezuela. A conduta de Israel na Palestina também foi objeto de discursos e cartazes durante a marcha feminina.

Violência de gênero em pauta

A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, apresentou sua obra 'Medo', que retrata um revólver direcionado a uma mulher.

“A mulher não tem um momento de tranquilidade. Ela não encontra sossego em casa, nem no trabalho. Em todos os lugares, podemos ser vítimas de assédio ou de assassinato. Por isso, o nome desta obra é medo. O medo é o sentimento que toda mulher brasileira experimenta”, declarou à Agência Brasil.

Apenas em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, um aumento de 4,7% em comparação com o ano anterior, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Raquel Braga Rodríguez, coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, ressaltou que os feminicídios são uma das maiores preocupações das mulheres brasileiras e que o ato visa combater esse tipo de crime.

“O governo apresentou o Pacto Nacional contra o Feminicídio, e gostaríamos que essa política pública fosse efetivamente implementada, resultando na diminuição desses números”, afirmou Raquel.

No início de fevereiro, um acordo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário foi estabelecido para a implementação de medidas de combate à violência de gênero no país.

Lydia Garcia, militante histórica do movimento de mulheres negras do Distrito Federal, com 88 anos, participou da manifestação apesar do risco de chuva. Professora de música aposentada e integrante do Coletivo Mulheres Negras Baobá, Lydia é mãe de cinco filhos, avó de 11 netos e três bisnetos, sendo uma pioneira na capital federal.

“Nós, mulheres, especialmente as mulheres negras, estamos demonstrando a nossa força, nossas lutas e vitórias para este mundo e para este Brasil, buscando dias melhores contra a violência contra jovens negros e contra o feminicídio.”

Distrito Federal sob os holofotes

O Governo do Distrito Federal (GDF), liderado por Ibaneis Rocha e sua vice, Celina Leão, foi um dos alvos do protesto do Dia da Mulher em Brasília.

Jolúzia Batista, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), lamentou a escassez de recursos destinados a políticas públicas de proteção às mulheres no DF.

“Estamos presenciando um escândalo financeiro no Brasil, com o banco do GDF [o BRB] sendo desvalorizado e a falta de verbas para políticas públicas”, disse à Agência Brasil.

A Polícia Federal (PF) está investigando a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. O Banco de Brasília considera oferecer 12 imóveis públicos do DF como garantia para empréstimos destinados a fortalecer seu caixa, após perdas estimadas em R$ 2,6 bilhões com a compra de créditos do Master.

A ativista da AMB defendeu que, além da denúncia contra o feminicídio, a luta das mulheres deve se concentrar na garantia de orçamentos que financiem políticas públicas para a melhoria da vida de meninas e mulheres.

“Precisamos discutir o orçamento. Com as emendas parlamentares e as emendas Pix, o dinheiro das políticas públicas foi desviado. Perdemos a qualidade dos serviços, a capacitação dos profissionais e as campanhas educativas”, comentou.

Avanços na luta feminina

Thammy Frisselly, uma das organizadoras do evento, destacou os dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março em Brasília e os progressos alcançados pelo movimento de mulheres na cidade.

“O 8M [8 de março] representa o maior ato político feminista da capital federal. Alcançamos muitos avanços, não apenas em leis, mas também no aumento do número de delegacias especializadas para mulheres”, detalhou Thammy.

Para a representante da Assembleia Popular pela Vida de Todas as Mulheres, a discussão sobre a violência contra a mulher na sociedade atual é fruto da pressão exercida pelos movimentos ao longo dos anos.

“Hoje, podemos afirmar abertamente que o 'psiu' na rua é violência, que falar da minha roupa é violência. Essa é uma conscientização fundamental que resulta da luta das mulheres”, concluiu Thammy.

Jornada 6x1 e imperialismo em debate

A ativista ressaltou que a pauta pelo fim da escala 6x1 é crucial na luta das mulheres, que já enfrentam jornadas duplas ou triplas, cuidando da casa, dos idosos e das crianças, além de seus trabalhos remunerados.

“As mulheres precisam de tempo para cuidar da sua saúde mental, para o lazer, para outras atividades e para estudar”, explicou Thammy.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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