Por Janaína Nunes
Embora o Rio de Janeiro e o Nordeste tenham suas tradições carnavalescas, a festa em São Paulo possui um encanto singular. Há uma década, os moradores da cidade têm optado por celebrar o pré-Carnaval e o Carnaval em casa, participando de megablocos e bloquinhos que tomam as ruas, além de prestigiarem os desfiles das escolas de samba no Sambódromo.
Os números comprovam a magnitude do evento. No último sábado, o bloco de Ivete Sangalo atraiu aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, conforme dados oficiais. No domingo, o Acadêmicos do Baixo Augusta, com a participação de Péricles, reuniu impressionantes 1,5 milhão de foliões. A experiência pessoal em ambos os eventos confirmou a densidade do público, tornando a locomoção desafiadora em certos momentos. Ivete Sangalo, em sua estreia no Carnaval paulistano, demonstrou grande controle, chegando a interromper sua performance para garantir a segurança, permitindo que o trio elétrico avançasse sem incidentes.
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O bloco Baixo Augusta, com sua trajetória de 17 anos, percorreu a Rua da Consolação em um ritmo eletrizante. O que começou como um evento na Rua Augusta expandiu-se de tal forma que a capacidade de organização é constantemente questionada a cada ano, para surpresa geral. A multidão avança pela Consolação em um estado de euforia coletiva. Seria benéfico um maior investimento nos blocos tradicionais, como o Baixo Augusta, mas essa é outra discussão.
São Paulo demonstra estar longe de ser um local sem alegria ou samba. Para dissipar qualquer dúvida remanescente, os dados são irrefutáveis. A animação é palpável, e para quem ainda duvida, assistir aos vídeos ou, preferencialmente, vivenciar a experiência de um bloquinho ou megabloco na cidade, incluindo uma visita ao Anhembi, certamente mudará sua perspectiva.