Em 2025, o Brasil alcançou o ápice de sua atividade turística em uma década e meia. O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) encerrou o período com um crescimento de 4,6% comparado a 2024, estabelecendo um novo recorde na série histórica do setor.
Esses dados são oriundos da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada na última quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Iatur abrange 22 das 166 atividades de serviços analisadas na pesquisa, englobando segmentos cruciais para o turismo, como hotelaria, agências de viagens, serviços de bufê e transporte aéreo de passageiros.
O resultado de dezembro de 2025 posiciona o setor turístico 13,8% acima do nível observado antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020, período em que a economia global iniciou um ciclo de restrições sanitárias e comerciais.
O cálculo do índice tem sido realizado desde 2011, e o ano de 2025 marcou o quinto período consecutivo de expansão para as atividades turísticas.
A evolução do Iatur ao longo dos últimos anos apresenta os seguintes marcos:
- 2020: -36,7%
- 2021: 22,2%
- 2022: 29,9%
- 2023:7,2%
- 2024: 3,6%
- 2025: 4,6%
A significativa queda de mais de 30% registrada em 2020 é atribuída diretamente à pandemia. Contudo, a robusta recuperação nos dois anos subsequentes reflete a retomada pós-crise sanitária e econômica.
Propulsores do crescimento em 2025
Conforme o IBGE, a expansão observada em 2025 foi predominantemente impulsionada pela elevação das receitas de empresas de transporte aéreo de passageiros, serviços de bufê, e os setores de reservas de hospedagens e hotéis.
A pesquisa do instituto coletou dados de 17 unidades federativas, incluindo Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte.
No ano de 2025, 14 dessas localidades registraram crescimento. O bom desempenho nacional foi liderado, em sequência, por São Paulo (3,9%), Paraná (5,5%), Bahia (6,6%), Rio de Janeiro (10,8%) e Rio Grande do Sul (11,4%).
Apesar de não apresentar a maior taxa de crescimento nominal, São Paulo exerceu a maior influência no resultado geral devido à sua expressiva participação no cálculo do Iatur.
Por outro lado, Minas Gerais (-4,4%), Mato Grosso (-1,2%) e Goiás (-0,4%) foram os estados que registraram retração em 2025.
Impacto da COP30
O Pará, estado que em novembro sediou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), encerrou o ano com uma expansão de 7,8%, superando a média nacional.
De acordo com o IBGE, embora a COP30 tenha sido um evento de grande relevância, sua duração limitada justifica o fato de o Iatur do estado ter crescido menos que em 2024 (9,7%).
Panorama geral dos serviços
Considerando o setor de serviços em sua totalidade, que engloba as 166 atividades investigadas, o IBGE constatou um crescimento de 2,8% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de expansão para o segmento.
Entre os setores que mais contribuíram para esse resultado estão portais e provedores de conteúdo online, transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga, publicidade e o desenvolvimento e licenciamento de softwares.
Com o desempenho de dezembro, o setor de serviços encontra-se apenas 0,4% abaixo de seu pico histórico, atingido em novembro de 2025, e 19,6% acima dos níveis pré-pandêmicos da covid-19.