O primeiro fim de semana do pré-carnaval em São Paulo foi marcado por um grande tumulto na rua da Consolação, levando o vereador Nabil Bonduki (PT) a acionar o Ministério Público. Bonduki solicitou, em caráter de urgência, uma reunião entre a Prefeitura, a Polícia Militar e as demais partes envolvidas na organização do evento, criticando a gestão municipal por, segundo ele, ter exposto a segurança dos foliões ao permitir que dois megablocos se encontrassem na mesma via, em uma área delimitada por grades.
No domingo (8), a confluência do consagrado Acadêmicos do Baixo Augusta com a primeira apresentação do bloco patrocinado pela Skol, liderado pelo DJ Calvin Harris, resultou em um cenário caótico. A quantidade massiva de pessoas gerou superlotação, culminando na queda de barreiras e em momentos de grande empurra-empurra. Diversos foliões sentiram-se mal, clamaram por assistência e alguns buscaram refúgio escalando estruturas e edificações vizinhas para fugir da aglomeração. Pelo menos três indivíduos necessitaram de socorro, sendo atendidos por bombeiros civis em meio à multidão.
O epicentro do tumulto localizou-se próximo à área de concentração do bloco de Calvin Harris. Em resposta à gravidade da situação, a administração municipal determinou o bloqueio do acesso à região e ativou um plano de contingência. Por volta das 16h, a Polícia Militar emitiu um comunicado aconselhando o público a evitar a rua da Consolação. Apesar das medidas, o bloco patrocinado enfrentou considerável dificuldade para se mover, permanecendo estacionado na altura da rua Piauí. O DJ, cuja performance estava agendada para as 14h, só conseguiu iniciar sua apresentação após as 15h.
Em comunicado oficial, o Acadêmicos do Baixo Augusta, bloco com 17 anos de tradição na área, atribuiu os incidentes à “falta de organização” e ao “não cumprimento dos horários previamente acordados”. Conforme o bloco, seu desfile sofreu um atraso de mais de uma hora por motivos de segurança, devido à superpopulação gerada pelo evento patrocinado. A organização do Baixo Augusta ainda ressaltou que o ocorrido representa um desrespeito à história e à essência do carnaval de rua desenvolvido na cidade ao longo de décadas.
Nabil Bonduki classificou o episódio como consequência de uma decisão política falha. O vereador argumentou que a Prefeitura tem desvirtuado a natureza do carnaval de rua, transformando-o em um espetáculo corporativo e priorizando blocos com patrocínio em detrimento dos grupos tradicionais e menores. “A junção de dois blocos de grande porte em um espaço confinado só poderia resultar em uma coisa: o caos”, afirmou Bonduki. Ele defendeu a identificação e responsabilização dos envolvidos para prevenir a repetição de situações similares nos futuros desfiles.
Em contraste, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) avaliou o fim de semana carnavalesco como um êxito. Em declaração à GloboNews, ele assegurou que, apesar da imensa afluência de público, o número de incidentes foi baixo e nenhuma ocorrência foi considerada de grande gravidade. Em resposta às críticas do Baixo Augusta, Nunes argumentou que a vasta audiência do bloco patrocinado optou por permanecer para assistir ao desfile subsequente e que os blocos iniciaram suas trajetórias em momentos distintos, primeiro o patrocinado e, em seguida, o tradicional.
Cabe ressaltar que a Prefeitura já havia sido previamente alertada sobre os perigos inerentes à concentração simultânea de dois megablocos na mesma localidade. Após os acontecimentos, espera-se que o Ministério Público proceda à avaliação das responsabilidades e exija modificações na estrutura organizacional dos próximos dias de folia.