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Quarta-feira, 21 de Janeiro 2026

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Quadro usa fezes para discutir falsificação de obras

Uma obra do artista mexicano Gabriel de la Mora tem chamado atenção dos visitantes da exposição “Veemente”, em cartaz na Sala 1 do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. O quadro utiliza fezes do próprio artista, misturadas a tinta, como matéria-prima, recurso que integra sua série “Originalmentefalso”, dedicada a discutir falsificação, autenticidade e autoria no […]

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Quadro usa fezes para discutir falsificação de obras
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Uma obra do artista mexicano Gabriel de la Mora tem chamado atenção dos visitantes da exposição “Veemente”, em cartaz na Sala 1 do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. O quadro utiliza fezes do próprio artista, misturadas a tinta, como matéria-prima, recurso que integra sua série “Originalmentefalso”, dedicada a discutir falsificação, autenticidade e autoria no universo das artes visuais.

Na ficha técnica da obra, além da lista de materiais, há uma “receita para fazer uma obra de arte”, que descreve alimentos como bolinhos de camarão, arroz frito, rolinho primavera, frango, “ave fênix”, neve de limão e água mineral. Em tom provocativo, o texto finaliza instruindo a “deixar digerir por 12 horas no intestino”, explicando a origem do material utilizado.

De falso Diego Rivera a original de la Mora

A peça em exposição nasceu de um desenho originalmente atribuído ao renomado artista mexicano Diego Rivera, datado de 1956. A imagem mostrava uma menina comendo um taco, feita em tinta sobre papel. No entanto, segundo Gabriel, a obra foi identificada como falsa por especialistas.

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O desenho, então, foi doado ao projeto Originalmentefalso, no qual obras falsificadas são transformadas em trabalhos originais de sua autoria por meio de processos diversos — neste caso, convertendo o desenho em um monocromo feito com excremento do artista.

“Com esse processo, a peça deixa de ser um falso Diego Rivera para se transformar em um original de Gabriel de la Mora. E que melhor forma de certificar a originalidade de uma obra do que com o próprio DNA ou informação genética do artista?”, provoca o autor.

Repercussão nas redes sociais

A obra rapidamente se tornou tema de debate nas redes sociais. Vídeos e fotos viralizaram e dividiram opiniões: enquanto alguns usuários elogiam a proposta conceitual, muitos questionam se a peça pode ser considerada arte.

Gabriel afirma ver essa multiplicidade de reações como parte essencial do trabalho.

“Há comentários favoráveis e contrários, e ambos são respeitáveis. Muitos gostam, muitos odeiam ou sentem repulsa, outros riem, se surpreendem ou não acreditam. Cada pessoa reage de uma forma, e isso faz parte do processo”, declarou.

Curadoria: ‘Arte é para provocar’

O curador da exposição, Marcello Dantas, defende que a polêmica demonstra que a obra alcança seu objetivo.

“Arte é para isso. Qualquer questão artística que mobilize as pessoas — seja pelo ultraje, pela paixão ou pelo incômodo — está cumprindo sua função. Quando alguém pergunta ‘mas isso é arte?’, para mim, já é arte”, afirma.

Segundo ele, esse tipo de questionamento acompanha toda a história da arte, dos impressionistas ao século XXI. “A cada dúvida, expandimos a definição de arte. Isso é saudável e necessário.”

Materiais nada convencionais

Além da obra feita com excremento, a mostra apresenta outras peças compostas por materiais pouco usuais, como asas de borboletas, poeira de ateliê, unhas, palitos de dente e fragmentos de espelho.

Gabriel explica sua relação com essas escolhas: “Eu não escolho os materiais; sinto que eles me escolhem. Quando algo perde sua função e vira resíduo, pode se transformar no início de outra coisa.”

A exposição “Veemente” segue aberta ao público no Museu Oscar Niemeyer, reunindo trabalhos provocativos que exploram limites, matéria-prima e novos significados para o processo criativo.

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FONTE/CRÉDITOS: Victor Oliveira/ Bacci Notícias
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