Um médico influenciador foi condenado a retirar das redes sociais vídeos em que divulgava informações falsas sobre a mamografia e o câncer de mama. A decisão, obtida pela Advocacia-Geral da União (AGU) em outubro, faz parte das ações do governo para conter conteúdos antivacina e protocolos sem base científica divulgados por profissionais da saúde.
A medida ganhou destaque após o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmar no domingo (16) que tomaria novas providências para impedir que médicos continuem lucrando com desinformação. Segundo ele, publicações desse tipo colocam vidas em risco.
O médico, que soma 1,5 milhão de seguidores, havia associado a mamografia ao aumento da incidência de câncer de mama — afirmação totalmente desmentida pela comunidade científica. Em um dos vídeos, ele desencoraja uma seguidora a fazer o exame, alegando que a radiação seria “equivalente a 200 raios-X”, o que não é verdade. Ele também atribui cistos mamários à “deficiência de iodo”, tese igualmente sem respaldo.
Na decisão liminar, o juiz federal destacou que as afirmações “não encontram amparo nas pesquisas atuais” e podem levar mulheres a abandonarem o principal exame de rastreamento da doença, com risco direto à vida.
Combate à fake news na saúde pública
A ação civil pública faz parte do projeto Saúde com Ciência, parceria entre AGU, Ministério da Saúde e Secretaria de Comunicação, que busca combater fake news em saúde pública. Para a procuradora-geral da União, Clarice Calixto, o caso representa “um marco na defesa da vida das mulheres”.
Especialistas reforçam que a mamografia segue sendo o exame mais eficaz para reduzir a mortalidade por câncer de mama — podendo diminuir em até 30% o risco de morte quando feita regularmente. Segundo oncologistas e mastologistas ouvidos, não existe evidência de que o exame aumente casos da doença, nem relação direta entre iodo e câncer de mama.
A radiação emitida pela mamografia é considerada baixa e segura, variando entre 0,1 e 0,4 mSv — menos do que uma viagem de avião. Para os médicos, a desinformação pode atrasar diagnósticos, prejudicar tratamentos e colocar a saúde das pacientes em risco.
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