Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, deu novos detalhes sobre a rotina na Penitenciária de Tremembé e negou a existência da chamada “gaiola do amor”, expressão que ganhou destaque após ser retratada na série Tremembé, do Amazon Prime Video. A ex-detenta afirmou, em entrevista a Roberto Cabrini no Domingo Espetacular, que o local exclusivo para casais não fazia parte da realidade da unidade.
Segundo ela, quando duas presas assumiam um relacionamento, a mudança permitida era dividir a mesma cela, mantendo regras claras de convivência. “Quando você está com alguém, uma passa a responder pela outra. A gente troca de cela e cada uma tem sua cama. Não pode fazer nada explícito. Depois que a luz apaga, fecha a cortina e dorme junto”, explicou.
A série retrata Sandrão dividindo esse espaço com Suzane von Richthofen, com quem ela se relacionou enquanto esteve presa. Ela afirma que a produção exagerou e criou elementos fictícios sobre sua trajetória.
Rotina de Tremembé
Ao falar sobre sua própria reputação dentro da unidade, Sandrão disse que a figura do “Sandrão” não representa quem ela é fora dali. “Sempre fui uma pessoa ligada à minha família. O que criaram sobre mim nasceu dentro da prisão”, declarou.
Ela afirmou ainda que a disciplina da penitenciária mudou sua forma de enxergar a vida. “Tremembé fez eu virar gente. Lá existem regras, e você precisa seguir. Quem está em Tremembé não quer sair de lá”, disse.
Caso Tallisson
Sandrão também contestou a versão apresentada na série sobre sua participação na morte de Tallisson, de 14 anos. Ela reconheceu envolvimento na cobrança feita à família do menino, mas negou ser responsável pelo disparo. “Eu não matei ele. Eu fiz a ligação. Participei de um crime, mas não dei ordem para matar. Eu não estava lá. A dor que isso causou é algo que não tem medida. Uma mãe perdeu um filho”, afirmou.
Perguntada se teria algo a dizer à família do jovem, respondeu: “Não sei se eles gostariam de ouvir. Mas a única coisa que consigo dizer é: me desculpa, por ter feito parte de algo que causou tanta dor.”