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Sexta-feira, 10 de Abril 2026

Economia

São Paulo: mais de 12,6 mil trabalhadores informais atuam como ambulantes

Estudo do Dieese revela que a maioria exerce a profissão sem autorização e cumpre longas jornadas.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
São Paulo: mais de 12,6 mil trabalhadores informais atuam como ambulantes
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Um levantamento inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que a metrópole de São Paulo abriga aproximadamente 12.671 trabalhadores ambulantes, distribuídos em 12.377 pontos de venda pela cidade.

A pesquisa detalha que uma parcela significativa desses profissionais opera na informalidade, enfrenta extensas cargas horárias e trabalha sem o aval da prefeitura, recebendo, em média, menos que outros trabalhadores da capital.

O estudo também aponta que cerca de 80% dos ambulantes dependem exclusivamente desta fonte de renda para seu sustento. Apesar dos desafios, a maioria expressa o desejo de permanecer na atividade, com 73% afirmando que não almejam mudar de ocupação.

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A demografia dos ambulantes mostra que 63% são homens, com a faixa etária predominante entre 31 e 50 anos (40%). A composição étnica revela que mais da metade (53%) se autodeclara preta ou parda, 34% brancos e 10% indígenas.

“Observamos uma participação expressiva de pessoas de origem andina, como venezuelanos e peruanos, que se identificam como indígenas”, explicou Tiago Rangel Côrtes, um dos coordenadores do estudo, em coletiva de imprensa realizada para divulgar os resultados.

“Quase um terço [31%] dos trabalhadores ambulantes na cidade de São Paulo são imigrantes. Esta é uma informação de grande relevância, pois eles se encontram em uma situação ainda mais precária que os demais ambulantes”, acrescentou. A pesquisa identificou imigrantes de 30 nacionalidades diferentes, com a maioria proveniente da América do Sul.

O estudo, intitulado 'Mapeamento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Ambulantes da Cidade de São Paulo', também constatou que 76% dos ambulantes são donos de suas bancas, 15% trabalham sem registro em carteira e apenas 2% possuem vínculo formalizado. Uma pequena parcela, cerca de 6%, são familiares dos proprietários.

Condições de trabalho

Metade desses trabalhadores atua na área há menos de cinco anos, enquanto 47,8% excedem esse período, com 15% dedicados à profissão por mais de duas décadas. Segundo o Dieese, este dado sugere que o trabalho ambulante é uma escolha de carreira de médio e longo prazo, e não uma atividade temporária. “Percebemos que o trabalho ambulante é um ofício, e as pessoas constroem suas vidas nesta atividade econômica, não é algo meramente passageiro”, ressaltou Côrtes.

Essa longevidade na atividade também se conecta a outro obstáculo relevante: o direito de trabalhar em vias públicas. Menos de 40% da categoria possui essa permissão. “Apenas 39% dos trabalhadores relatam ter autorização da prefeitura para atuar onde exercem suas atividades”, informou Côrtes.

A maioria dos entrevistados (56%) opera sem a devida permissão pública. Desses, 80% manifestaram interesse em obter a licença, mas enfrentam barreiras como custos elevados, complexidade burocrática ou a má distribuição dos pontos de venda.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que as jornadas de trabalho dos ambulantes são mais longas em comparação com a média da população ocupada em São Paulo. Enquanto cerca de três quartos (74%) dos trabalhadores da cidade cumprem até 44 horas semanais, limite legal, e 26% ultrapassam essa carga, entre os ambulantes, 56,5% trabalham até 44 horas semanais, e 44% excedem esse período. Desses últimos, quase 30% chegam a trabalhar mais de 51 horas por semana.

Em termos de remuneração, a média dos ambulantes que atuam no comércio de rua é de R$ 3 mil. Este valor representa pouco mais da metade (56%) da média salarial dos demais ocupados na capital paulista, que é de R$ 5.323,04.

A pesquisa também detalhou os produtos mais comercializados: roupas lideram com 55%, seguidas por alimentos preparados para consumo imediato (14%), eletrônicos (5,4%), bebidas (4,8%), alimentos industrializados (4,5%), materiais impressos como livros e jornais (4,5%), acessórios como bolsas e carteiras (4,4%) e pequenos itens ou bijuterias (4%).

O levantamento foi conduzido entre julho e agosto do ano passado, abrangendo 70 áreas de grande circulação de ambulantes em São Paulo, de um total de 244 pontos mapeados, incluindo locais próximos a terminais de transporte, unidades de saúde, postos do Poupatempo e parques. Foram entrevistados 2.772 ambulantes, com foco naqueles que mantêm pontos fixos de venda.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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