O ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), esclareceu nesta sexta-feira (6) que não visualizou os dados obtidos pela quebra de sigilo do celular do empresário Daniel Vorcaro enquanto esteve à frente do inquérito sobre irregularidades no Banco Master.
Através de seu gabinete, o magistrado informou que o conteúdo sigiloso foi enviado à Corte somente após o dia 12 de fevereiro, período em que a relatoria da ação já havia passado para o ministro André Mendonça.
O posicionamento oficial foi emitido como resposta a questionamentos sobre possíveis entraves no andamento das investigações sob sua condução.
Toffoli enfatizou que atendeu prontamente a todas as solicitações cautelares da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de deixar o caso, assegurando que os trabalhos prosseguiram sem interrupções ou anulações de atos processuais e sem prejuízo à apuração dos fatos.
No último mês, o ministro se afastou da relatoria depois que a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a existência de diálogos que o citavam no aparelho de Vorcaro. O celular foi recolhido na etapa inicial da Operação Compliance Zero, realizada no ano anterior.
O ministro possui sociedade no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que foi adquirido por um fundo de investimento vinculado ao Banco Master e que está sob a mira dos investigadores federais.
Acompanhe as notícias pelo canal da Agência Brasil no WhatsApp.
Prisão
Na próxima sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF deve avaliar se mantém a prisão preventiva de Vorcaro, determinada por André Mendonça e executada na quarta-feira (4).
O colegiado responsável pela análise é formado por Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e o próprio relator, André Mendonça.
A presença de Toffoli na sessão de julgamento ainda não foi confirmada oficialmente.
Histórico
Daniel Vorcaro foi detido novamente pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Em 2023, o banqueiro já havia sido alvo de prisão na mesma operação, mas obteve o direito de responder em liberdade com o uso de monitoramento eletrônico.
A nova ordem de prisão baseou-se em conversas extraídas do celular do investigado, nas quais Vorcaro proferia ameaças contra profissionais da imprensa e outros indivíduos que contrariavam seus interesses comerciais.
A Compliance Zero investiga um esquema de fraudes bilionárias no Banco Master, com estimativas de prejuízo que chegam a R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, destinado ao ressarcimento de investidores.