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Terça-feira, 10 de Fevereiro 2026

Direitos Humanos

Três poderes instituem pacto nacional para combater o feminicídio no Brasil

A iniciativa prevê uma atuação coordenada e permanente entre Executivo, Judiciário e Legislativo, visando à prevenção da violência contra meninas e mulheres em todo o país.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Três poderes instituem pacto nacional para combater o feminicídio no Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (4), o governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário uniram forças para instituir o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio.

Essa ação conjunta busca estabelecer uma colaboração contínua e harmoniosa entre os três poderes da República, visando à erradicação da violência que afeta meninas e mulheres em todo o território brasileiro.

O consenso estabelecido por este pacto parte do entendimento de que a violência de gênero no Brasil representa uma crise profundamente enraizada, exigindo, portanto, uma abordagem integrada e não meramente fragmentada.

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Complementarmente, uma campanha intitulada 'Todos Juntos por Todas' será lançada, com o propósito de mobilizar a sociedade civil para uma participação ativa e decisiva no combate a essa forma de violência.

Principais objetivos

Entre as metas centrais do pacto, destacam-se a agilização da efetivação de medidas protetivas, o reforço das estruturas de combate à violência em âmbito nacional, a expansão de programas educacionais e a responsabilização dos perpetradores, visando à redução da impunidade.

O compromisso abrange a transformação da cultura institucional nos três Poderes, a promoção da equidade de gênero, o combate ao machismo estrutural e a formulação de respostas para desafios emergentes, como a violência digital direcionada a mulheres.

Parte integrante da estratégia é o portal digital TodosPorTodas.br, concebido para centralizar dados sobre o pacto, disseminar as ações planejadas, indicar canais de denúncia e políticas públicas de amparo às mulheres, além de incentivar a adesão de entidades governamentais, corporações privadas e da comunidade em geral.

No mesmo portal, será disponibilizado um guia para download, oferecendo informações detalhadas sobre as diversas manifestações da violência, as estratégias de enfrentamento e diretrizes práticas para uma comunicação ética e consciente, em consonância com o propósito de preservar vidas.

Criação de comitê

Adicionalmente, o pacto contempla a formação de um Comitê Interinstitucional de Gestão, sob a coordenação da Presidência da República. Este colegiado congregará representantes dos três Poderes, com a presença constante de membros dos ministérios públicos e das defensorias públicas, garantindo um monitoramento ininterrupto, uma coordenação federativa eficaz e total transparência.

No âmbito do Poder Executivo, o comitê será composto por membros da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais e dos ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.

Panorama e estatísticas

Conforme registros do sistema judiciário, no ano de 2025, a Justiça brasileira processou uma média diária de 42 casos de feminicídio, somando 15.453 julgamentos ao longo do ano – um incremento de 17% comparado ao período anterior.

Durante o mesmo intervalo, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o que representa uma média de 70 medidas por hora, de acordo com informações do Conselho Nacional de Justiça.

A Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, registrou em 2025 uma média de 425 denúncias diárias.

A seguir, detalhamos as transformações mais significativas que o governo federal projeta com a implementação do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio:

  • Medidas protetivas mais ágeis e eficazes: Redução do intervalo entre a denúncia e a efetiva proteção da mulher, com a coordenação de decisões judiciais, atuação policial, assistência social e rede de acolhimento para evitar lacunas.
  • Atuação integrada dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, em conjunto com órgãos de controle, compartilharão dados e monitorarão os casos de maneira unificada, desde a solicitação de apoio até a resolução, minimizando falhas que atualmente expõem mulheres a perigos.
  • Intensificação da prevenção para evitar fatalidades: Implementação de campanhas contínuas, educação sobre direitos, treinamento de servidores públicos e iniciativas para transformar a cultura da violência, engajando também os homens como parte da solução.
  • Responsabilização célere dos agressores: Otimização dos processos judiciais, diminuição da impunidade e aplicação de sanções mais rigorosas para aqueles que desobedecem medidas protetivas ou praticam atos de violência.
  • Atenção prioritária a grupos vulneráveis: Foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, residentes em periferias, áreas rurais, pessoas com deficiência, jovens, idosas e aquelas em regiões remotas ou de maior vulnerabilidade.
  • Respostas a novas modalidades de violência: Combate à violência digital, incluindo perseguição, ameaças e exposição indevida online, que frequentemente precedem agressões físicas.
  • Transparência e prestação de contas: Divulgação de relatórios periódicos, estabelecimento de metas claras e prestação de contas à sociedade sobre os resultados alcançados.
FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
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