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Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Saúde

Um em cada cinco jovens apresenta sobrepeso ou obesidade

A Federação Mundial alerta que o excesso de peso na infância pode gerar condições de saúde análogas às de adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Um em cada cinco jovens apresenta sobrepeso ou obesidade
© Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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O Dia Mundial da Obesidade, celebrado nesta quarta-feira (4), foi marcado pela divulgação de dados alarmantes do Atlas Mundial da Obesidade 2026. O relatório indica que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos globalmente, o que corresponde a um em cada cinco indivíduos, enfrentam sobrepeso ou obesidade, somando 419 milhões de pessoas. A Federação Mundial de Obesidade projeta que, até 2040, essa cifra pode atingir 507 milhões de jovens em todo o mundo.

Em um comunicado, a organização enfatiza que o excesso de peso durante a infância e adolescência pode desencadear problemas de saúde geralmente associados a adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. Estima-se que, até o ano de 2040, 57,6 milhões de crianças poderão exibir indicativos iniciais de doenças cardiovasculares, e 43,2 milhões apresentarão sinais de hipertensão.

A federação ressaltou que "o atlas revela a insuficiência das ações globais para combater a obesidade infantil, com muitos países falhando em implementar o conjunto de políticas essenciais para sua prevenção, monitoramento, diagnóstico e tratamento". A entidade fez um apelo por iniciativas robustas para modificar as tendências atuais.

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Entre as estratégias propostas pela organização, figuram a aplicação de tributos sobre bebidas açucaradas; a imposição de limites à publicidade destinada a crianças, abrangendo plataformas digitais; a adoção das diretrizes internacionais para a prática de atividades físicas infantis; o incentivo e a proteção ao aleitamento materno; a promoção de padrões alimentares mais nutritivos em ambientes escolares; e a incorporação da prevenção e do tratamento da obesidade nos sistemas de atenção primária à saúde.

Brasil

No cenário brasileiro, os dados indicam que 6,6 milhões de crianças na faixa etária de 5 a 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Esse contingente aumenta para 9,9 milhões ao incluir crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, resultando em um total de 16,5 milhões de jovens entre 5 e 19 anos convivendo com o excesso de peso no país.

Dentre esse grupo, projeções para 2025 apontam que quase 1,4 milhão de indivíduos foram diagnosticados com hipertensão relacionada ao Índice de Massa Corporal (IMC), 572 mil com hiperglicemia vinculada ao IMC, 1,8 milhão com níveis elevados de triglicerídeos associados ao IMC, e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

As estimativas para o Brasil até 2040 preveem um aumento nestes indicadores: mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes (5 a 19 anos) diagnosticados com hipertensão atribuída ao IMC; 635 mil com hiperglicemia associada ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados relacionados ao IMC; e 4,6 milhões com doença hepática esteatótica metabólica.

Análise

Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), classificou os dados do atlas como um "crescimento assustador" nos índices de sobrepeso e obesidade infantis globalmente, com especial preocupação em nações de renda média e baixa.

Ele explicou que "a dieta baseada em produtos ultraprocessados, de baixo valor nutricional e custo acessível, tem se expandido de forma exponencial, impactando principalmente crianças de estratos socioeconômicos menos favorecidos nessas regiões".

"O Brasil não foge a essa regra. Há dois anos, já se previa que, em uma década, metade das crianças e adolescentes brasileiros apresentaria sobrepeso ou obesidade. Os dados atuais corroboram essa projeção, com os índices em ascensão e considerados alarmantes", acrescentou Halpern.

Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o período de 2027-2028, Halpern reforça que a obesidade é uma questão coletiva. "Temos 8 bilhões de motivos para agir – a população mundial", enfatizou.

Ele argumenta que "precisamos abandonar a concepção de que a obesidade é meramente uma questão individual e reconhecer que, atualmente, ela representa também um desafio socioeconômico". Halpern conclui: "Se metade das crianças desenvolverá obesidade ou sobrepeso em poucos anos, isso não é um problema alheio, mas sim uma preocupação para todos nós. Se não for seu filho, será o filho de sua irmã ou de alguém muito próximo a você enfrentando essa realidade".

Para o especialista, "é fundamental implementar estratégias como a taxação de produtos ultraprocessados e refrigerantes, além de reduzir a publicidade direcionada ao público infantil. Também é crucial abordar a obesidade materna, um aspecto bem destacado no atlas. Ao tratar a obesidade em gestantes, podemos contribuir significativamente para a prevenção da obesidade em seus filhos no futuro", finalizou.

FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil
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