O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram os resultados preliminares da primeira etapa do Censo Escolar 2025. O levantamento aponta para uma expansão na oferta de educação em tempo integral, abrangendo todas as fases da educação básica, nos últimos quatro anos. A matrícula em tempo integral é caracterizada pela permanência do estudante na escola por sete horas ou mais por dia, ou um mínimo de 35 horas semanais.
De acordo com os dados, o percentual de matrículas presenciais em período integral na rede pública de ensino cresceu 10,7 pontos percentuais entre 2021 e 2025. O atendimento passou de 15,1% para 25,8% do total de alunos.
Com esse resultado, o Brasil atinge a meta estipulada no Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que previa a ampliação da modalidade para atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública em jornada estendida.
A finalidade dessa modalidade é a promoção do desenvolvimento e da formação integral de bebês, crianças e adolescentes, por meio de um currículo intencional e integrado. Isso implica na ampliação e articulação de diferentes experiências educativas, sociais, culturais e esportivas, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar, com a participação ativa da comunidade.
O maior aumento foi registrado no ensino médio, onde as matrículas em tempo integral saltaram de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025. No ensino fundamental, os anos finais (6º ao 9º ano) alcançaram 23,7%, enquanto os anos iniciais (1º ao 5º ano) registraram 20,9%. Na pré-escola, as matrículas em tempo integral representam 18,3% do total.
Avanços na educação integral
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, os dados revelam um progresso muito significativo.
"São 923 mil novas matrículas em apenas um ano, ultrapassando 8,8 milhões de estudantes na rede pública. Esse crescimento consistente desde 2022 indica que o país está consolidando o tempo integral como uma estratégia estruturante para enfrentar os desafios da aprendizagem e das desigualdades educacionais", afirma.
Entretanto, ela enfatiza que não basta apenas estender o tempo de permanência na escola. É fundamental que as escolas desenvolvam projetos pedagógicos que ampliem as oportunidades de aprendizado efetivo, utilizando esse tempo adicional de maneira estratégica.
"Isso significa organizar um currículo diversificado, que inclua atividades artísticas, esportivas e culturais, que dialogue com o território e com a realidade dos estudantes, e que fortaleça tanto as aprendizagens cognitivas quanto o desenvolvimento socioemocional. A ampliação do tempo precisa estar a serviço de experiências formativas mais ricas e significativas”, aponta Guedes.
Investimentos no programa
Segundo o MEC, os resultados são reflexo do investimento de R$ 4 bilhões no Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023. O programa tem como objetivo apoiar as redes de ensino na expansão de matrículas em jornada ampliada, abrangendo todas as etapas e modalidades da educação básica.
O Censo Escolar
O levantamento, realizado anualmente pelo Inep, coleta dados sobre todas as escolas da educação básica, incluindo informações sobre professores, gestores, turmas e as características dos estudantes. As informações englobam todas as etapas e modalidades da educação básica: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional.
Participam do Censo Escolar instituições de ensino públicas e privadas, de todas as etapas da educação básica em todo o país.