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Sexta-feira, 10 de Abril 2026

Saúde

Universidade Federal do Rio de Janeiro inaugura centro para doenças raras

A iniciativa surge em um contexto onde milhões de brasileiros convivem com alguma das cerca de 7 mil enfermidades raras, muitas delas com potencial incapacitante.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Universidade Federal do Rio de Janeiro inaugura centro para doenças raras
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está prestes a inaugurar uma nova estrutura dedicada ao tratamento e à investigação de enfermidades raras. Localizado na capital fluminense, o Complexo Hospitalar da instituição abrigará o futuro Centro de Saúde Pública de Precisão.

Com previsão de abertura em agosto, o novo serviço terá como foco o atendimento exclusivo a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma condição é classificada como rara quando sua incidência não ultrapassa 65 indivíduos por grupo de 100 mil habitantes. Embora a maioria dessas patologias conhecidas possua uma base genética, algumas podem ser desencadeadas por agentes infecciosos ou influências ambientais.

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Estimativas do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 13 milhões de brasileiros são afetados por uma das cerca de 7 mil doenças raras já catalogadas, sendo que muitas dessas condições podem levar à incapacidade.

Desafios no diagnóstico

Soniza Vieira Alves-Leon, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do Complexo Hospitalar, ressalta que essas condições representam um grande desafio para a medicina. A baixa prevalência em um número reduzido de indivíduos dificulta significativamente a condução de estudos aprofundados sobre elas.

"Algumas dessas doenças ainda não foram completamente descritas, o que significa que a comunidade científica não compreende totalmente seus sintomas e causas", acrescenta a especialista.

A identificação precisa dessas patologias, conforme Soniza, constitui outro obstáculo considerável, visto que nem todos os profissionais de saúde possuem a capacitação necessária para reconhecê-las adequadamente.

Adicionalmente, a confirmação conclusiva do diagnóstico frequentemente exige exames de alto custo e de difícil acesso. Embora algumas doenças raras possam ser detectadas inicialmente pelo teste do pezinho, mesmo nesses cenários é fundamental a realização de testes mais específicos para a confirmação.

Avanços no sequenciamento genético

No último mês, o Governo Federal divulgou a incorporação do Sequenciamento Completo do Exoma (WES) ao SUS, considerado o exame mais relevante para o diagnóstico de doenças raras.

O WES investiga a porção do DNA onde se localiza a maior parte das mutações genéticas associadas às doenças raras, utilizando amostras de sangue ou saliva. Devido à sua complexidade, o procedimento é realizado em um número limitado de laboratórios no Brasil.

Atualmente, no âmbito do SUS, apenas um laboratório é responsável pelo processamento das amostras oriundas de diferentes estados, com a expectativa de que um segundo laboratório comece a oferecer o serviço a partir de maio.

Espera-se que essa medida diminua o tempo médio de espera por um diagnóstico no país de sete anos para seis meses. O Sequenciamento Completo do Exoma é um dos exames de alta tecnologia que serão disponibilizados pelo novo Centro de Saúde Pública de Precisão da UFRJ.

O complexo hospitalar da UFRJ, sob a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, recebeu um aporte superior a R$ 19 milhões, verba destinada à estruturação do novo centro.

Os recursos foram aplicados, primariamente, na adaptação de uma área específica dentro do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e na compra de equipamentos essenciais para a execução dos procedimentos diagnósticos.

Melhora na qualidade de vida

Além dos testes genéticos, o novo centro oferecerá exames de biomarcadores, capazes de identificar alterações celulares, bioquímicas ou moleculares ligadas a diversas patologias.

Soniza Vieira Alves-Leon enfatiza que um diagnóstico preciso e ágil eleva consideravelmente as possibilidades de os pacientes acessarem intervenções que contribuam para a melhoria de sua qualidade de vida.

A especialista também destaca que a nova unidade impulsionará as pesquisas em genética e medicina de precisão, favorecendo a criação de novas abordagens terapêuticas para doenças raras e oncológicas.

"Com esta infraestrutura, será viável diagnosticar precocemente, monitorar de forma mais eficaz os pacientes e desenvolver novas terapias", conclui.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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