A Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira (15/4), a Operação Narco Fluxo, visando desmantelar uma organização criminosa que teria movimentado aproximadamente R$ 1,6 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades, o grupo possuía ligações diretas com o crime organizado.
Ao longo das buscas, os agentes apreenderam uma vasta quantidade de bens luxuosos que, de acordo com as investigações, serviam para ocultar a procedência ilícita dos montantes financeiros.
A ofensiva policial mirou figuras de grande alcance popular, como os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores digitais Chrys Dias e Raphael Sousa, este último proprietário da página Choquei.
Confira os detalhes da apreensão
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De acordo com o balanço oficial apresentado pela corporação, os itens confiscados incluem:
- 55 automóveis e motocicletas de alto padrão, com valor estimado em R$ 20 milhões;
- 120 armas de fogo acompanhadas de munição;
- 56 itens de joalheria e relógios de luxo, incluindo exemplares da marca Rolex;
- 53 aparelhos de telefone celular;
- 56 equipamentos eletrônicos, entre notebooks e tablets;
- R$ 300 mil em moeda nacional em espécie;
- US$ 7,3 mil em dinheiro vivo (cerca de R$ 36 mil);
- Documentação variada e registros de movimentações financeiras.
Entre os objetos que mais chamaram a atenção dos investigadores estavam uma Mercedes-Benz G63 rosa, avaliada em R$ 2 milhões, e uma réplica de carro de Fórmula 1 da McLaren, ambos encontrados na casa de Chrys Dias. Na residência de MC Ryan SP, os policiais localizaram um cordão de ouro com a face de Pablo Escobar sobreposta ao mapa de São Paulo.
Origem e desdobramentos da investigação
A Narco Fluxo é um desdobramento de ações anteriores, como as operações Narco Vela e Narco Bet, conduzidas entre 2023 e 2024, que investigaram o tráfico internacional de entorpecentes e o uso de plataformas de apostas para ocultação de valores.
A mobilização contou com cerca de 200 policiais federais para o cumprimento de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As diligências ocorreram simultaneamente no Distrito Federal e em oito estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão.
Por determinação da 5ª Vara Federal de Santos, as contas e o patrimônio dos investigados foram bloqueados para evitar a dispersão dos ativos financeiros.
Mecanismo do esquema criminoso
De acordo com a PF, os investigados utilizavam carreiras artísticas e a influência no universo digital como fachada para legalizar o capital. O dinheiro proviria do envio de mais de três toneladas de cocaína ao exterior, além de lucros obtidos com jogos de azar e rifas clandestinas na internet.
As táticas de lavagem incluíam o smurfing (fracionamento de depósitos para burlar o Coaf), o uso de empresas de fachada e laranjas, a conversão de valores em criptoativos e a exploração da imagem de influenciadores para circular os recursos.
Impacto nas redes sociais
Após a operação, os perfis de MC Ryan SP e Chrys Dias no Instagram ficaram fora do ar. Somadas, as contas alcançavam quase 30 milhões de seguidores. Atualmente, os usuários que tentam acessar as páginas encontram avisos de indisponibilidade. A Meta não emitiu declarações sobre o caso.
O que dizem os envolvidos
A equipe jurídica de MC Ryan SP negou qualquer irregularidade, afirmando que o patrimônio do cantor é lícito e comprovado. O advogado de MC Poze do Rodo declarou que aguarda acesso total aos autos para reverter a prisão. Já Raphael Sousa afirmou que sua ligação com os demais se limita a contratos de publicidade digital, enquanto a defesa de Chrys Dias ainda não se manifestou.