A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou formalmente a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo é investigar um suposto financiamento do governo Donald Trump voltado para deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF) e interferir na política brasileira.
A medida governamental ocorreu após uma reportagem do periódico britânico The Guardian expor que os Estados Unidos destinaram US$ 1 milhão. O valor, equivalente a cerca de R$ 5,1 milhões, seria direcionado a iniciativas focadas em campanhas contra a Suprema Corte.
Para a AGU, a denúncia possui extrema gravidade diante do cenário político e eleitoral. O órgão ressalta que o episódio se soma a outras pressões externas recentes exercidas contra instituições democráticas brasileiras.
“Caso comprovado, o recebimento de capital estrangeiro para a promoção de ataques ordenados e sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento das instituições do Sistema de Justiça brasileiro, mediante a instrumentalização de fundos internacionais desviados de sua finalidade original de proteção aos direitos humanos, poderá revelar uma estrutura de ingerência externa em assuntos internos do Estado brasileiro”, declarou a AGU em nota oficial.
Entenda a denúncia
A matéria publicada pelo jornal The Guardian detalha que o recurso americano seria canalizado para a ação nomeada Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. A intenção declarada do projeto envolvia apoiar grupos civis contrários às decisões do STF.
Os valores estariam vinculados ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF). Contudo, a apuração jornalística ainda não confirmou se a quantia foi efetivamente transferida ou apenas empenhada pela administração norte-americana.
Contexto internacional e reações
A publicação também recordou episódios de atritos diplomáticos anteriores, incluindo sanções aplicadas contra o ministro Alexandre de Moraes. Além disso, o governo dos EUA tem criticado duramente as regulamentações brasileiras voltadas para o controle de plataformas digitais.
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa do STF optou por não comentar as revelações divulgadas pela imprensa estrangeira.