Durante o primeiro turno das eleições, entre agosto e outubro, os **ataques a jornalistas** e veículos de imprensa somaram 14.182 ocorrências no X e no Instagram. O levantamento, coordenado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), revela que a violência digital escalou na reta final do pleito com o objetivo de descredibilizar o trabalho da imprensa.
O estudo, realizado em parceria com o Labic/UFES e o ITS Rio, mostra que a média diária de agressões saltou de 283 para 327 na última semana antes da votação. No total, os pesquisadores analisaram cerca de 3,7 milhões de publicações digitais ao longo de 50 dias.
Segundo Leticia Kleim, coordenadora jurídica da Abraji, essa enxurrada de hostilidades busca intimidar os profissionais. Ela alerta que a prática prejudica a sociedade ao tentar silenciar vozes essenciais para o funcionamento da democracia durante o período eleitoral.
Hostilidade direcionada e termos ofensivos
O monitoramento acompanhou 652 termos e hashtags ofensivos. Os dados apontam um aumento de 67,3% nas ocorrências entre a primeira e a segunda quinzena da pesquisa. Expressões como "fake news" e "jornalista militante" foram amplamente utilizadas para deslegitimar a cobertura jornalística.
Mulheres são o alvo principal
A violência de gênero ficou evidente nos dados de ataques direcionados. As profissionais do sexo feminino foram alvo de 64,8% das ofensas individuais, totalizando 2.013 registros. As agressões incluíram desde insultos sexuais e misóginos até ameaças de violência física.
Foco na disputa presidencial
A corrida pela Presidência da República concentrou quase 80% dos episódios com contexto eleitoral identificado. O relatório reforça que a violência digital gera consequências reais, forçando equipes a avaliarem riscos de segurança antes de realizar coberturas de interesse público.
A CDJor, responsável pelo documento, é composta por onze entidades do setor, incluindo a Abraji, a Fenaj, a Jeduca e a organização Repórteres sem Fronteiras.