Na última sexta-feira (16), o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141/2026, que acaba com a escala 6x1. A partir de dezembro deste ano, os trabalhadores brasileiros terão direito a dois dias de descanso semanal, em vez de um, como é atualmente.
A proposta de emenda à Constituição 221/2019 foi elaborada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em dezembro de 2019. O texto permaneceu estagnado na Comissão de Constituição e Justiça por anos, até retomar força recentemente.
Esse avanço coincidiu com a criação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A iniciativa surgiu após um balconista de farmácia começar a expor sua exaustiva rotina de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
O idealizador dessa mobilização foi Rick Azevedo. Indignado com as regras do mercado, ele desconhecia a existência da PEC 221/2019 quando passou a gravar vídeos nas redes sociais criticando o modelo vigente.
A repercussão gerada por Rick inspirou novos projetos, culminando na unificação de propostas que resultaram na jornada máxima semanal de 40 horas e no direito a dois descansos remunerados.
De balconista a deputado federal
O impacto da campanha digital transformou a trajetória pessoal do trabalhador. Em poucos anos, ele passou de funcionário do comércio a vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, conquistou uma vaga na Câmara dos Federal.
Em entrevista exclusiva, o parlamentar relembra suas origens e projeta os próximos passos para garantir a efetividade dessa nova legislação no país.
Agência Brasil: Poderia nos contar um pouco sobre sua história pessoal, familiar e profissional?
Rick Azevedo: Eu sou um balconista de farmácia, um trabalhador brasileiro. Homem negro, migrante, como milhões de brasileiros que buscam uma vida melhor. Nasci em Taipas, no Tocantins, e fui buscar oportunidades no Rio de Janeiro.
Agência Brasil: Como foi a criação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT)?
Rick Azevedo: O VAT nasceu da minha indignação e do meu cansaço. Trabalhava na escala 6x1 e comecei a me perguntar: que vida é essa em que a gente trabalha praticamente a semana inteira e só tem um dia para resolver tudo?
Agência Brasil: Quais são os impactos positivos para o trabalhador com o fim dessa escala?
Rick Azevedo: O primeiro impacto é devolver a vida ao trabalhador. Estamos falando de uma mãe que vai poder passar mais tempo com seus filhos e de pessoas que terão tempo para cuidar da saúde e descansar.