Organizações sociais e órgãos governamentais registraram um salto expressivo nos casos de violência política de gênero durante este mês marcado pelo Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que esses ataques cresceram 11 vezes entre 2022 e 2026, saltando de 15 para 177 processos em andamento.
A data foi instituída para relembrar o ato histórico de 1980, quando mulheres ocuparam as escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para repudiar crimes de gênero no país. No atual cenário eleitoral brasileiro, levantamento das entidades Terra de Direitos e Justiça Global apontou 134 ocorrências de violência política até o primeiro turno.
Entre as candidatas, os impactos são desproporcionais. Mulheres pretas e pardas lideram as estatísticas de vulnerabilidade, representando mais de 53% das 1.564 denúncias registradas pelo Disque 180 entre janeiro e agosto de 2026.
Casos de grande repercussão
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustra a gravidade do cenário atual. Ela denunciou à Polícia Civil ameaças de morte, injúrias machistas e racistas, além de ter dados confidenciais expostos publicamente durante sua campanha em Minas Gerais.
Diante da escalada de ameaças, partidos e autoridades reforçam a necessidade de proteção institucional e aplicação rigorosa da lei para preservar a integridade física de quem ocupa espaços de poder.
Canais de atendimento e denúncia
Vítimas ou testemunhas de crimes de gênero podem buscar auxílio imediato por meio de diferentes plataformas governamentais e órgãos de segurança pública:
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: serviço gratuito e sigiloso disponível 24 horas por dia.
- Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público.
- Delegacias de Polícia Civil e Federal nos estados.
- Polícia Militar, acionada pelo telefone 190 em situações de emergência.