A recente aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal renova as expectativas de milhões de brasileiros por mais tempo livre, descanso e cuidados com a saúde. A medida impacta diretamente a rotina de profissionais em todo o país, como a garçonete Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, moradora do Rio de Janeiro.
No batente desde a adolescência, Adrielle atua de segunda a sábado e relata o peso de contar com apenas um dia livre na semana. “Nessa escala 6x1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, desabafa.
Ela pontua que compromissos inadiáveis durante a semana, a exemplo de consultas médicas dos filhos, exigem faltas que resultam em descontos no salário. Clique aqui e leia mais sobre o fim da escala 6X1 na Agência Brasil.
Jornada exaustiva
A situação de Adrielle reflete a realidade de uma parcela expressiva da população submetida a essa rotina desgastante. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) traz alento para quem busca equilibrar o trabalho com o convívio familiar e o lazer.
Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1.
Expectativa por mudanças
Yasmin Nascimento atua como auxiliar administrativa e compartilha do mesmo sentimento de urgência por mais tempo de descanso. Em meio à correria diária, ela celebrou o avanço legislativo.
“É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada”, destacou.
Impacto geracional
Trabalhadoras mais velhas também reforçam o coro pela alteração nas leis trabalhistas. Cristiane Wandermuren, de 56 anos, atua como ajudante de cozinha e lamenta a falta de tempo para os netos e para cuidar da própria saúde.
Histórias semelhantes marcam a trajetória de aposentadas como Maria Antônia de Carvalho, de 63 anos, que precisou aguardar a aposentadoria para desfrutar de folgas regulares, e Luciana Machado, que aponta a necessidade de cautela para evitar aumentos na carga diária durante a semana.
Quando passa a valer?
Conforme o texto avalizado pelos parlamentares, as empresas precisarão assegurar o modelo 5x2 e a diminuição da jornada de 44 para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação.
Posteriormente, o limite cairá para 40 horas, totalizando uma transição gradual de 14 meses para adaptação completa do mercado de trabalho nacional.