Aviso: este texto aborda temas sensíveis, incluindo relatos de agressões físicas e sexuais, que podem servir de gatilho para algumas pessoas. Caso você esteja em situação de risco ou conheça alguém que sofra violência doméstica, procure auxílio e denuncie através do número 180.
Levantamentos do DataSenado indicam que, em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras foram alvo de violência doméstica. Com o registro de pelo menos quatro feminicídios a cada 24 horas, o cenário é devastador e demanda uma reeducação coletiva para que o país deixe de atingir marcas históricas de criminalidade contra a mulher.
Recentemente, um caso em Minas Gerais provocou revolta: o Tribunal de Justiça estadual havia absolvido um indivíduo de 35 anos pelo estupro de uma criança de 12 anos. A mãe da vítima, que permitia os abusos em troca de auxílio financeiro, também havia sido inocentada inicialmente.
Repercussão e a busca por punição
Diante da forte pressão nas redes sociais e de manifestações populares, o desembargador Magid Nauef Láuar revisou o posicionamento, mantendo a pena de nove anos e quatro meses de reclusão por estupro de vulnerável. Paralelamente, surgiram informações de que o próprio magistrado responde a três denúncias por assédio sexual.
Tais episódios evidenciam que, para garantir seus direitos, as mulheres precisam transformar sua dor em clamor público. Sem essa mobilização, a voz feminina é frequentemente ignorada por um sistema que, muitas vezes, prioriza a absolvição masculina em detrimento da proteção de vulneráveis, amparado por uma cultura de proteção ao agressor.
É imperativo alterar a percepção social para que as meninas brasileiras possam crescer em um ambiente seguro. A manutenção do prestígio de figuras públicas, como artistas globais com histórico de violência, sob o pretexto de seu valor profissional, apenas reforça a lógica da impunidade.
Quando participantes de programas de grande audiência mantêm legiões de defensores mesmo após condenações ou investigações por crimes sexuais, a mensagem transmitida é a de que a violência pode ser relativizada, prolongando o ciclo de sofrimento das vítimas.
A sociedade deve exigir rigor e manifestar repúdio contra a rede de machismo que ceifa vidas diariamente. Justificativas que buscam separar a competência profissional do caráter criminoso não são mais admissíveis. O homem e o agressor constituem a mesma figura e devem ser tratados como tal.