No Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, a alteração nos locais de votação determinada pelo TRE-RJ fez com que quase 17 mil eleitores enfrentassem longos deslocamentos e filas no primeiro turno do pleito atual.
O fotógrafo Marlon Soares relata que precisou usar condução e aguardar mais de duas horas para votar. O morador expressou frustração com a mudança repentina de endereço, que o separou do local de votação habitual de sua família.
Motivos da mudança e impacto na segurança
A medida do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) transferiu 72 locais de votação no estado em relação a 2024, afetando cerca de 202 mil pessoas. O objetivo do órgão foi retirar seções eleitorais de áreas consideradas de alto risco ou sob influência do crime organizado.
Apenas no Complexo da Maré, 16.907 eleitores distribuídos em 41 seções da 161ª Zona Eleitoral foram remanejados. Unidades de ensino tradicionais, como a Escola Municipal Professor Josué de Castro, tiveram suas seções transferidas para instituições fora do perímetro imediato dos moradores.
Abstenção elevada e barreiras territoriais
A taxa de abstenção nas seções transferidas da Maré atingiu 31,07%, índice bem superior à média nacional de 21,08%. A ONG Redes da Maré adverte que o deslocamento para fora do território impõe sérias barreiras de acesso aos votantes.
Embora a Justiça Eleitoral ofereça transporte gratuito e apoio para mobilidade reduzida, entidades locais destacam que a medida é insuficiente quando a condução não adentra o território. O trecho exige travessia de grandes vias, como a Avenida Brasil e a Linha Amarela.
Mobilização comunitária para o segundo turno
Para mitigar o impacto no segundo turno, a organização Redes da Maré promove a campanha Esquinas por Direitos. A ação orienta os cidadãos nas ruas e redes sociais sobre o direito democrático e a checagem prévia das seções eleitorais.
A analista Lia Manso ressalta que o exercício do voto é fundamental para a transformação coletiva. Segundo ela, a atuação da ONG busca conscientizar os moradores sobre a relevância da participação política mesmo diante das adversidades do território.