O Brasil alcançou um patamar inédito no registro de pessoas desaparecidas em 2025. As informações, fornecidas pelos estados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), evidenciam uma realidade alarmante, como ilustra o caso dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, cujo sumiço trouxe à luz esses números preocupantes.
Atualmente, aproximadamente 84 mil indivíduos encontram-se desaparecidos em território nacional. Este patamar representa o pico histórico desde o início da coleta de dados em 2015, excedendo até mesmo os índices registrados antes da crise sanitária da Covid-19. As informações, que englobam todas as idades, compõem o painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, alimentado pelas secretarias de segurança dos estados e do Distrito Federal.
No ano de 2025, a proporção nacional de desaparecimentos alcançou 39 casos a cada 100 mil habitantes, considerando os registros compilados ao longo de todo o período.
Crianças e adolescentes em situação de risco
A análise específica sobre indivíduos com menos de 18 anos revela um cenário particularmente alarmante. Conforme o Sinesp, o Brasil contabilizou 23.919 desaparecimentos de crianças e adolescentes no ano anterior. Este montante equivale a:
Uma média diária de 66 casos de desaparecimento envolvendo esta faixa etária.
Um aumento de 8% em comparação com 2024, ano em que a média era de 60 notificações por dia.
O drama em Bacabal (MA)
A frieza dos números estatísticos adquire uma dimensão humana no interior maranhense. Os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael foram dados como desaparecidos em 4 de janeiro de 2026, na cidade de Bacabal, enquanto estavam na companhia do primo, Anderson Kauan, de 8 anos.
Ao contrário dos irmãos, Anderson foi localizado com vida em 7 de janeiro, três dias depois de seu desaparecimento, em uma comunidade quilombola local. Em seu depoimento às autoridades, o garoto informou que o último lugar onde esteve com Ágatha e Allan foi uma cabana em ruínas, conhecida como “casa caída”, situada nas proximidades do Rio Mearim.
No local apontado pelo menino, cães farejadores detectaram indícios da presença dos irmãos. Com base nesta pista, as equipes de resgate intensificaram as operações de busca na área, mas o destino das duas crianças ainda é desconhecido.