Nas eleições, o crescimento da participação de partidos com perfil conservador no Congresso Nacional e no governo dos estados foi interpretado como uma resposta do eleitorado sobre pautas do dia a dia. A avaliação é do economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB) Jeferson Ramos dos Santos.
Ele explica que as campanhas regionais priorizaram temas como segurança pública, custo de vida, valores e família, que se consolidaram como pautas dominantes nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados estaduais, federais e governadores.
Os temas foram bastante relevantes e representam um recado claro do eleitorado, segundo destacou o especialista ouvido pelo jornalismo da Rádio Nacional.
Críticas ao STF
Para o economista, a recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF) pesou menos na hora do voto, ficando mais de lado nas disputas eleitorais.
Embora tenha sido uma temática relevante na mídia, o STF não vai às urnas, o que resultou em um impacto eleitoral direto menor, disse o analista.
Apesar disso, o STF deve ser alvo das discussões legislativas no Senado Federal, com a nova configuração de maioria conservadora, conforme avalia Jeferson.
Fim da escala 6x1
No Brasil, a pauta trabalhista mais discutida neste ano é o fim da escala 6x1, com votação prevista para a semana, conforme confirmado pelo presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Porém, com a alteração expressiva na composição da Câmara e do Senado, o professor Jeferson Ramos dos Santos acredita que o ritmo de votação e o perfil das propostas tendem a mudar.
O quadro político mudou sensivelmente e, diante de incertezas, é comum que as casas legislativas posterguem decisões até que os blocos e lideranças parlamentares se posicionem.
Disputa presidencial
De acordo com resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) disputam o segundo turno da vaga presidencial.
O professor universitário percebe que o cenário permanece aberto e competitivo para o dia 25 de outubro, data em que os eleitores decidem o comando do país entre 2027 e 2030.
Agendas legislativas
O resultado final da disputa presidencial pode ter impacto direto na agenda da nova legislatura da Câmara e do Senado Federal a partir de 1º de fevereiro de 2027, prevê o especialista.
A agenda, caso mais voltada à direita, pode caminhar menos para temas trabalhistas e focar em valores e segurança pública, estima o professor Jeferson Ramos dos Santos.