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Saúde

Baixa vacinação de gestantes contra gripe e covid-19 preocupa especialistas

Médicos alertam para riscos de infecções graves e reforçam a segurança das imunizações aplicadas durante a gravidez para proteger mães e bebês.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Baixa vacinação de gestantes contra gripe e covid-19 preocupa especialistas
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A baixa adesão à vacinação de gestantes contra a gripe e a covid-19 tem preocupado autoridades de saúde no Brasil, devido ao aumento de casos graves de infecções respiratórias em grávidas e puérperas. Especialistas entrevistados pela Agência Brasil alertam que a hesitação vacinal, alimentada por desinformação e negligência, compromete a proteção das mães e de seus bebês recém-nascidos.

Enquanto gestantes como Nataly Saldanha e Raissa Silva de Oliveira, moradoras do Rio de Janeiro, mantêm o pré-natal e a caderneta de vacinação rigorosamente atualizados, os índices nacionais revelam um cenário alarmante. Em 2025, apenas 55% das grávidas brasileiras receberam a vacina contra a covid-19, e somente 63% se imunizaram contra a influenza, bem abaixo da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde.

Essa cobertura insuficiente tem gerado consequências severas. De 2022 a agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza, resultando em 25 mortes. No mesmo período, a covid-19 causou 205 casos graves e 21 óbitos nesse grupo. Durante o pico da pandemia (2020-2022), o vírus provocou 3.547 internações de grávidas e 811 mortes.

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Fatores para a baixa adesão

De acordo com Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a desvalorização da gravidade da gripe e as fake news sobre as vacinas de covid-19 sustentam a resistência. Ela esclarece que as tecnologias utilizadas são seguras, amplamente testadas e fundamentais para reduzir em até cinco vezes a mortalidade de grávidas por infecções respiratórias agudas.

Atualmente, as infecções por covid-19 e influenza representam mais de metade das mortes por SRAG entre gestantes no país. Por estarem em um grupo de risco prioritário devido a alterações imunológicas naturais da gestação, a imunização é recomendada em qualquer fase da gravidez, conforme reforçam médicos ginecologistas e obstetras.

Proteção estendida aos recém-nascidos

A ginecologista Giuliane Lajos, da Febrasgo, destaca que as vacinas evitam partos prematuros, anomalias e morte fetal. Além disso, os anticorpos maternos são transmitidos pela placenta, protegendo o bebê nos primeiros meses de vida, período em que ele ainda não pode ser vacinado diretamente contra a gripe e a covid-19.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente outras quatro vacinas essenciais para gestantes: hepatite B, dT (difteria e tétano), dTpa (coqueluche) e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Esta última já alcançou 86% de cobertura, reduzindo pela metade as internações de bebês por bronquiolite no primeiro semestre de 2026.

O papel dos profissionais de saúde

Especialistas cobram maior engajamento dos médicos para combater mitos e orientar as pacientes. Na atenção primária, estratégias como a busca ativa por agentes comunitários e a aplicação de doses no mesmo dia das consultas de pré-natal têm se mostrado eficazes para garantir que as gestantes completem o esquema vacinal com segurança.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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