A violência política contra a mulher atingiu um patamar alarmante no Brasil, com 1.564 denúncias registradas na Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, entre janeiro e agosto de 2026. Este cenário, observado em pleno ano de eleições gerais, reflete um desafio estrutural que busca desestimular a participação feminina em espaços de poder.
As queixas englobam 1.581 violações distintas, já que uma única denúncia pode conter múltiplos tipos de agressão. Segundo o Ministério das Mulheres, o fenômeno está ligado a uma onda crescente de misoginia e movimentos que tentam retroceder em direitos conquistados, como o voto feminino.
Perfil das vítimas e locais
Os dados revelam uma disparidade racial acentuada: mulheres pretas e pardas representam 53% das vítimas, totalizando 842 registros. Em seguida, aparecem mulheres brancas, com 37,72% dos casos. Geograficamente, São Paulo lidera as estatísticas com 430 denúncias, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais.
As formas de violência variam de ameaças de morte e ataques racistas a comportamentos cotidianos, como a interrupção sistemática da fala e o julgamento pela aparência. Para a secretária Nacional de Participação Política, Sandra Kennedy, esses atos são uma afronta direta aos direitos fundamentais.
Ações de enfrentamento
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que a violência de gênero é um dos maiores entraves para a permanência de mulheres na política. O número de processos judiciais sobre o tema saltou de 15, em 2022, para 177 neste ano. O governo federal mantém o Protocolo de Enfrentamento à Violência Política, que visa integrar instituições para proteger candidatas e gestoras.
Para denunciar, o Ligue 180 oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas. Além do telefone, é possível contatar o canal via WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail central180@mulheres.gov.br ou por videochamada em Libras.