O delegado Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, revelou pormenores inéditos da operação que culminou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra nesta quinta-feira (21/5). Em uma entrevista exclusiva à repórter Mônica Apor, do portal LeoDias, o secretário detalhou os indícios que apontaram para o nome de Deolane, destacando um documento achado em um esgoto como peça-chave para as investigações.
Conforme Nico, a apuração teve início em 2019 e ganhou força significativa após peritos localizarem o documento, parcialmente danificado, dentro de um sistema de esgoto. Ele explicou que o material foi restaurado pela perícia técnica, auxiliando a polícia a identificar uma transportadora suspeita de movimentar recursos financeiros para contas associadas a Deolane. “Nós o recuperamos, secamos, refizemos, e assim conseguimos chegar àquela transportadora que enviava dinheiro para a Deolane”, relatou o secretário.
A polícia, segundo Nico, suspeita que a referida empresa era utilizada como parte de uma rede para ocultar valores provenientes de atividades criminosas organizadas. “Descobrimos diversas empresas, que são fachadas, com endereços até fictícios, no mesmo local. Enfim, é um trabalho de investigação que está apenas começando hoje”, declarou.
A operação realizada nesta quinta-feira cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos locais vinculados aos indivíduos investigados. Nico Gonçalves informou que, além de Deolane, foram alvos da ação o irmão de Marcola, um sobrinho do criminoso e um homem conhecido como Player, apontado pela investigação como o operador financeiro do grupo. “Cumpri o mandado do irmão do Marcola, do sobrinho do Marcola, da Deolane e do Player. Essas pessoas foram detidas hoje”, afirmou.
O secretário detalhou que seis pessoas foram alvo das determinações judiciais. Parte dos investigados já se encontrava detida, enquanto outros foram presos nesta quinta-feira (21/5). Adicionalmente, dois foragidos foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. As autoridades também confiscaram telefones celulares, veículos de luxo e documentos. Além disso, um montante de R$ 327 milhões em bens e ativos financeiros foi bloqueado pela Justiça, conforme comunicado pelo secretário.
Nico Gonçalves também abordou o fato de Deolane estar em Roma, na Itália, no momento em que a operação foi deflagrada. Ele explicou que a polícia optou por manter o sigilo da investigação para evitar vazamentos de informações e impedir a fuga de outros alvos. “Optamos pelo sigilo, porque se prendêssemos um primeiro lá, os dois daqui poderiam escapar. Então, levamos em conta o fuso horário de cinco horas”, explicou.
O secretário enfatizou ainda que a presente investigação não guarda relação com a prisão anterior da influenciadora, ocorrida em 2024, durante a Operação Integration, que apurava lavagem de dinheiro vinculada a jogos ilegais e apostas online. “Este é um caso completamente distinto. Aqui se trata do envolvimento dela com o crime organizado”, declarou.
Segundo Nico Gonçalves, Deolane deverá ser transferida para uma unidade prisional em Tupã, no interior de São Paulo, e permanecerá sob prisão preventiva. O delegado expressou sua convicção de que um eventual pedido de habeas corpus pode encontrar dificuldades diante da robustez das provas coletadas até o momento. “Considero difícil, pois as provas são muito consistentes”, concluiu o delegado.