O impacto das telas na saúde mental dos alunos passou a ser discutido em 80% das escolas do Brasil em 2025. O dado, revelado na terça-feira (4) pela pesquisa TIC Educação, mostra uma alta relevante frente aos 62% registrados em 2024 nas redes públicas e privadas do país.
O levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), órgão do NIC.br e ligado ao CGI.br, ouviu 2.404 gestores escolares por telefone em áreas urbanas e rurais.
A aproximação com os responsáveis também cresceu: 75% das direções reuniram-se com famílias para debater a tecnologia em 2025, contra 60% no ano anterior. Além disso, 86% conversaram com o corpo docente sobre o tema.
Outros tópicos em ascensão nas pautas escolares incluem o uso seguro e responsável das redes (75%) e o ensino de educação midiática no currículo (67%).
Desafios e desigualdades no ambiente escolar
Embora 65% das instituições desenvolvam projetos práticos nessa linha, a aplicação é desigual. O índice atinge 72% nas áreas urbanas e é maior entre as que oferecem computadores com acesso à internet para os estudantes (75%).
Entre as escolas com ações, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias como principal obstáculo. Já nas instituições sem atividades, a falta de material pedagógico de apoio é a maior barreira (77%).
Para Daniela Costa, coordenadora da TIC Educação, o cenário exige atenção às desigualdades estruturais. Segundo ela, as escolas necessitam de políticas públicas estruturadas e suporte para orientar os responsáveis adequadamente.
A demanda por orientação é visível: em 49% das unidades, pais buscaram a direção para mediar o consumo digital dos filhos. Paralelamente, 48% das escolas promoveram palestras sobre bem-estar e 46% distribuíram materiais de orientação.
Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, defende que a proteção de jovens requer regulação de plataformas e ação integrada do Estado para lidar com riscos como algoritmos e Inteligência Artificial.
Regras para uso de celulares e inteligência artificial
Sobre a restrição de aparelhos, 51% dos gestores afirmam que os alunos são proibidos de levar celular pessoal. A proibição atinge 69% no ensino fundamental inicial e cai para 31% no ensino médio.
Entre as escolas que permitem o aparelho em sala, 66% liberam o uso pedagógico. Essa proporção cresce no Norte (76%), Nordeste (76%) e em zonas rurais (75%), onde há maior carência de computadores.
Pela primeira vez, a pesquisa mediu o uso de inteligência artificial generativa. Cerca de 53% dos gestores utilizam a ferramenta para tarefas administrativas, mas apenas 22% das escolas têm guias de orientação sobre o recurso.
As aplicações mais comuns de IA por gestores envolvem criação de imagens (83%), comunicados (80%) e resumos de textos (71%). Além disso, 37% das escolas autorizam estudantes a usarem a tecnologia em tarefas educacionais.