No Brasil, quatro em cada dez mulheres já abriram mão de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional em virtude de dificuldades de deslocamento, segundo a mobilidade feminina. Os fatores desfavoráveis envolvem falta de segurança, custos elevados, tempo e território, conforme aponta a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver.
O estudo foi realizado pela Indique em parceria com o Think Eva e a 99. Mais da metade das entrevistadas (54%) também deixou de comparecer a compromissos profissionais pelos mesmos motivos. Um quinto já desistiu de capacitações, incluindo a faculdade.
As restrições afetam diversas esferas da vida. Oito em cada dez faltaram a encontros ou eventos. Um terço renunciou a atividades físicas, lazer e visitas a familiares, enquanto 69% deixaram de sair à noite.
A insegurança ou violência lidera como principal impedimento, citado por 32%. A falta de dinheiro aparece em segundo (22%), seguida pela precariedade do transporte público (15%) e pela distância dos destinos (14%).
Para se proteger, 87% evitam certos bairros e 73% planejam horários específicos. Além disso, 63% já deixaram de usar algum meio de transporte e 60% mudaram rotas.
O assédio sexual é outro fator alarmante. O levantamento constatou que 89% relatam ter sido vítimas em algum veículo, com maior incidência em ônibus (68,8%) e a pé (60,8%).
Automóveis
Os carros por aplicativo são opção para 80% das ouvidas, embora tenham custos elevados para 67% das moradoras de periferias. No total, 68% não possuem veículo próprio e 52% gastam mais de uma hora diária no trajeto.
A renda dita o acesso aos modais. O ônibus é usado por 80,3% das mulheres de baixa renda, contra 52,1% das de alta renda. O carro próprio atende 40,6% das mais ricas e apenas 8,3% das mais pobres.
Mulheres como cuidadoras
O papel histórico do cuidado molda rotinas. Cerca de 54% exercem esse trabalho sozinhas. Por isso, os trajetos incluem paradas para ir a escolas, farmácias e consultas médicas.
Os aplicativos de transporte são acionados por 53% quando há necessidade de transportar dependentes, como filhos ou idosos.
Sobre a coleta de dados
A etapa quantitativa ocorreu entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, com 564 mulheres de 18 a 60 anos em capitais e outras 73 cidades brasileiras.