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Segunda-feira, 29 de Junho 2026
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Economia

Mulheres ampliam liderança em propriedades rurais no agronegócio brasileiro, mas enfrentam desvalorização

Estudo da Fundação IDH revela que, apesar da crescente participação feminina na produção agropecuária, a disparidade salarial persiste.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Mulheres ampliam liderança em propriedades rurais no agronegócio brasileiro, mas enfrentam desvalorização
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
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No Brasil, as mulheres assumem a liderança da produção agropecuária em quase 20% das propriedades rurais, abrangendo uma área de 30 milhões de hectares. Apesar dessa significativa atuação, especialmente em unidades de agricultura familiar de até 20 hectares, um estudo recente da Fundação IDH aponta para a persistente desvalorização do trabalho feminino no setor do agronegócio.

Os dados, que destacam a representatividade feminina no comando de atividades rurais no Século 21, foram compilados no estudo "Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro". A pesquisa foi elaborada pela Fundação IDH a partir de uma abrangente revisão bibliográfica.

A realidade do campo reflete um cenário já observado em outras esferas econômicas do país: o trabalho desempenhado por mulheres nas fazendas é sistematicamente menos valorizado quando comparado ao dos homens.

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Essa disparidade é evidenciada nos rendimentos: apenas 17,4% das mulheres atuantes no setor recebem mais de três salários mínimos, enquanto entre os homens, esse percentual atinge 29,8%, conforme detalha a divulgação do levantamento.

O estudo se debruça sobre a análise do papel feminino em seis importantes cadeias produtivas do agronegócio: pecuária, cacau, citros, soja, café e cana-de-açúcar.

Participação feminina por cadeia produtiva

A pecuária se destaca como o subsetor com a maior presença feminina na liderança, com mulheres à frente da produção em 33% das propriedades dedicadas a essa atividade.

Na cultura do cacau, a gestão feminina é observada em 22% das propriedades, com predominância em unidades familiares localizadas nos estados da Bahia e do Pará.

Em relação às culturas de citros, que incluem laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja, as mulheres lideram 18% da produção total.

A soja, uma das commodities de maior peso na economia brasileira, apresenta 17% de participação feminina na força de trabalho primária. Contudo, o estudo ressalta que "o acesso à gestão ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança".

No tradicional cultivo de café, a gestão feminina é verificada em apenas 13,2% dos estabelecimentos. Nesses locais administrados por mulheres, a participação feminina na mão de obra alcança expressivos 43%, um índice bem superior aos 24% observados sob comando masculino.

Já na produção de cana-de-açúcar, a participação feminina é a menor entre as cadeias analisadas, com apenas 8,8% delas compondo a força de trabalho e somente 5,4% em posições de liderança.

A Fundação IDH também destaca que as mulheres dedicadas às atividades rurais são frequentemente classificadas como "campeãs de inovação". Elas demonstram uma notável prioridade pela responsabilidade social e pela adoção de técnicas avançadas de conservação do solo.

A Fundação IDH, cujo nome deriva da sigla holandesa para Iniciativa de Comércio Sustentável, tem sua sede em Utrecht, nos Países Baixos. No Brasil, a organização atua em cadeias produtivas rurais em estados como Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil
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