A morte da corretora Daiane Alves Souza teve seu desfecho revelado pela Polícia Civil de Goiás em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (19). Daiane havia desaparecido em 17 de dezembro de 2025, após ir ao subsolo do edifício onde residia para investigar uma interrupção no fornecimento de energia. Quase 40 dias depois, as autoridades prenderam o síndico do prédio, que confessou o homicídio, e seu filho, sob suspeita de auxiliar na ocultação de evidências.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, Cléber Rosa de Oliveira, o síndico, foi indiciado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A investigação avançou após a confissão do síndico, que indicou o local onde o corpo da corretora havia sido ocultado, em uma área de mata próxima a Caldas Novas. A ossada foi posteriormente encontrada às margens da rodovia GO-213, a aproximadamente 15 quilômetros da cidade.
Investigação sobre o desaparecimento levantou suspeitas
Daiane foi declarada desaparecida em 17 de dezembro de 2025, e inicialmente, o caso foi tratado como um desaparecimento comum.
Contudo, as primeiras apurações revelaram indícios de atividade criminosa:
- O fornecimento de energia do apartamento da vítima foi cortado de forma manual.
- Não havia registros de que Daiane tivesse saído do condomínio viva.
- O síndico apresentou relatos inconsistentes sobre os horários e os procedimentos realizados.
- A possibilidade de um desaparecimento voluntário foi descartada.
As inconsistências observadas direcionaram o foco da polícia para Cléber.
A análise de dados telefônicos apontou movimentações em horários considerados cruciais e a ausência de comunicação durante o período em que o crime e o transporte do corpo teriam ocorrido, fortalecendo a hipótese de planejamento prévio.
O filho do síndico chegou a ser detido, mas sua participação foi posteriormente descartada por falta de provas concretas.
Versão do acusado
Em depoimento, Cléber relatou que:
- Houve uma discussão que evoluiu para luta corporal.
- O disparo que atingiu a vítima teria sido acidental.
- Ele transportou e abandonou o corpo na rodovia.
- A arma do crime foi lançada em um braço do Lago Corumbá.
- O celular da vítima foi descartado em um ralo de esgoto do edifício.
- Uma limpeza superficial foi realizada no local do crime.
Celular da corretora foi crucial para a investigação
A virada no caso ocorreu com a descoberta do aparelho celular de Daiane no sistema de esgoto do condomínio. Após um trabalho técnico de recuperação, o dispositivo revelou gravações feitas pela própria Daiane momentos antes de sua morte.
De acordo com a polícia, as imagens mostram:
- O acusado já presente no local.
- Uma aproximação por trás, com o rosto parcialmente encoberto.
- Um ataque súbito, sem indícios de discussão prévia.
- A gravação foi interrompida abruptamente.
Para os investigadores, as evidências em vídeo confirmam que se tratou de uma emboscada premeditada.
Perícia contesta versão de tiro acidental
Testes com luminol detectaram a presença de vestígios de sangue no cômodo indicado pelo síndico e no veículo que ele utilizou, compatíveis com o transporte de um corpo.
Adicionalmente, a investigação concluiu que a corretora foi atingida por dois disparos na cabeça, possivelmente efetuados fora das dependências do prédio.
O delegado André Luiz Barbosa afirmou que “a perícia demonstrou claramente que qualquer disparo efetuado seria audível na recepção do prédio”.
Conforme Ricardo Matos, superintendente da Polícia Científica, a arma utilizada foi uma pistola calibre .380 semiautomática. Uma munição ficou alojada na cabeça da vítima, enquanto a outra transfixou a região do olho esquerdo.
A polícia concluiu que a versão dos fatos apresentada pelo acusado não condiz com a hipótese de acidente.
Conclusão da investigação
Com base em evidências digitais, laudos periciais e depoimentos coletados, a Polícia Civil determinou que:
- O crime foi um homicídio qualificado.
- A vítima foi atraída ao subsolo sob um pretexto profissional.
- O ataque foi inesperado, impossibilitando qualquer reação de defesa.
- O corpo foi ocultado com o intuito de garantir a impunidade do autor.
A corporação enfatizou que a morte de Daiane não decorreu de uma discussão ou acidente, mas sim de uma ação planejada e executada de forma deliberada.