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Quinta-feira, 30 de Julho 2026
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Ancelotti encerra ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo: “A ideia é botar uma nova geração”

Treinador confirma reformulação da Seleção após a Copa do Mundo, define a Copa América de 2028 como primeiro objetivo e admite erro contra a Noruega

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Ancelotti encerra ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo: “A ideia é botar uma nova geração”
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Carlo Ancelotti começou a desenhar uma nova Seleção Brasileira após a eliminação na Copa do Mundo. Em entrevista nesta quarta-feira (29/7), 24 dias depois da derrota para a Noruega nas oitavas de final, o treinador confirmou que Neymar, Casemiro e Danilo não fazem parte dos planos para o próximo ciclo e indicou que a equipe passará por uma renovação significativa.

A mudança, no entanto, não será completa. Ancelotti afirmou que pretende preservar alguns jogadores experientes para garantir continuidade ao trabalho iniciado no último ano. Marquinhos foi citado pelo italiano como um dos atletas que podem permanecer no grupo.

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Neymar JrReprodução / Instagram CBF
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"45 minutos podem custar um sonho de infância", declarou Casemiro após a derrota do BrasilReprodução/Instagram: @casemiro
Danilo fala com a imprensa após vitória contra o Japão. Foto: Portal LeoDias
Danilo fala com a imprensa após vitória contra o Japão. Foto: Portal LeoDias
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“Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos”, disse.

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O treinador explicou que os próximos amistosos serão utilizados para ampliar a observação de atletas que ainda tiveram poucas oportunidades na equipe principal. A prioridade imediata será preparar uma Seleção competitiva para a Copa América de 2028, enquanto o planejamento de longo prazo terá como foco a Copa do Mundo de 2030.

“Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028”, ponderou.

Apesar do fim de ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo, Ancelotti descartou uma ruptura completa com o elenco que disputou a Copa. Segundo o treinador, alguns nomes experientes poderão contribuir na transição para a nova geração.

“Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. Acho que é importante que fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração”, afirmou.

A reformulação será feita ao longo dos próximos quatro anos. Ancelotti voltou ao Rio de Janeiro na terça-feira (28/7) e iniciou, ao lado do departamento de seleções da CBF, as observações para a próxima convocação. O Brasil disputará amistosos contra Austrália e Índia entre setembro e outubro.

O técnico também pretende estreitar a relação com as categorias de base. Para ele, jogadores da Seleção sub-20 podem ganhar espaço no processo de formação da equipe que disputará o Mundial de 2030.

Copa América de 2028 é o primeiro alvo:

Ancelotti definiu a Copa América de 2028 como a primeira meta competitiva do novo ciclo. O treinador afirmou que o período até a próxima Copa do Mundo permitirá construir a equipe de forma gradual, sem a necessidade de antecipar todas as decisões.

“É um processo diferente, porque teremos quatro anos. Tivemos que fazer muitas coisas no primeiro ano, levando em conta também que tivemos oito lesões entre março e junho, que mudaram um pouco a estrutura que tivemos do time. Então a verdade é que sempre vamos ter pressão. Mas acho que é uma pressão diluída no tempo. O primeiro objetivo não vai ser a Copa do Mundo 2030, o primeiro objetivo vai ser a Copa América, tentaremos ganhar a Copa América em 2028”, afirmou.

Entre os jovens já observados pelo treinador estão Estêvão, Rayan, Endrick e Vitor Reis. Ancelotti também afirmou que novos goleiros serão acompanhados no futebol brasileiro, embora tenha destacado a experiência de Alisson e Ederson.

“Acho que temos que observar novos goleiros. E há novos goleiros. Há goleiros jovens que estão jogando no Campeonato Brasileiro, que temos que olhar. Levando em conta as qualidades que segue tendo o Alisson, segue tendo o Ederson. A ideia é fazer uma avaliação muito atenta dos novos goleiros”, pontuou.

Erro contra a Noruega:

A derrota que eliminou o Brasil da Copa também foi abordada pelo treinador. Ancelotti afirmou que a preparação realizada durante o primeiro ano de trabalho foi adequada, mas reconheceu que errou ao modificar a estrutura da equipe no segundo tempo contra a Noruega.

A mudança ocorreu após a parada para hidratação. Neymar e Danilo Santos entraram nas vagas de Rayan e Martinelli, enquanto Endrick passou a atuar mais aberto pelo lado.

“A autocrítica que eu posso fazer, que eu fiz depois do jogo, é que eu mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo”, disse.

Ancelotti explicou que a entrada de Neymar tinha como objetivo aumentar a qualidade ofensiva e recuperar o controle da partida, mas reconheceu que a alteração produziu outro efeito.

“Acho que ali mudou algo no time. Perdemos um pouco o controle pelo lado. Com a entrada do Neymar, eu pensava em retomar o controle do jogo. Botar mais qualidade na frente para ganhar o jogo. Isso é parte de uma decisão. Você tem que tomar uma decisão em um jogo eliminatório. É como contra o Japão. Às vezes as decisões são corretas porque o resultado te premia. Às vezes as decisões são muito ruins porque o resultado não te premia”, refletiu.

O treinador ainda afirmou que não considera adequado avaliar todo o trabalho realizado desde sua chegada apenas pelo resultado diante da Noruega: “É um erro avaliar um trabalho só com o resultado. O resultado contra a Noruega foi muito ruim para todo mundo, muito decepcionante, muito triste. Mas, por trás disso, houve um trabalho de um ano, uma preparação para a Copa que, todos pensamos, não só eu, foi bem feita”.

Neymar já foi comunicado:

Ancelotti revelou que conversou com jogadores que tiveram o ciclo encerrado após a Copa. No caso de Neymar, o treinador destacou que o atacante já havia deixado clara, publicamente, sua decisão de não continuar na Seleção.

“Já falei com eles depois da Copa do Mundo. Falei com alguns quando tomamos a decisão definitiva e vou falar com eles, não tenho problema com ninguém. Falei com alguns neste período. Ontem (terça), o Neymar já foi muito claro na declaração de que acabou o tempo com a Seleção, e isso é um percurso natural na carreira de um jogador. Um dia ou depois, se acaba”, pontuou.

O técnico também voltou a explicar a escolha de manter Neymar na Copa, mesmo após o jogador chegar ao Mundial sem a mesma preparação dos demais atletas. Segundo Ancelotti, exames realizados após uma comunicação do Santos apontaram que o atacante não estaria pronto para a estreia, mas teria condições de participar do restante do torneio.

“Foi uma pena, porque Neymar não teve a possibilidade de se preparar como os outros. Mas nunca pensamos em trocar Neymar por isso, porque ele tinha condição de ficar bem, como estava na partida contra a Noruega”, lembrou.

Estilo será adaptado aos jogadores:

Outro ponto abordado pelo treinador foi o modelo de jogo. Ancelotti defendeu que a Seleção não precisa, necessariamente, controlar as partidas por meio da posse de bola e afirmou que o estilo deve considerar as características dos jogadores disponíveis.

“Acho que a equipe tem que ter um estilo baseado nas características dos jogadores. A verdade é que você pode receber críticas porque o time teve menos posse do que a Noruega. A estrutura, as características dos jogadores não são de jogar um jogo de posse. Quando você tem na frente jogadores como Vinicius, Endrick, Estêvão e Raphinha, você não tem que fazer um jogo de posse. Você tem que fazer um jogo mais vertical”, explicou.

Para Ancelotti, a presença de atacantes que exploram a profundidade favorece uma proposta mais vertical. O italiano citou a Espanha, campeã mundial, como exemplo de uma equipe com características diferentes no meio-campo.

“Eu acho que há jogos em que ter menos posse de bola não é tão determinante, porque depende das características dos jogadores. Quando um time tem na frente Vinicius Junior, Endrick e Estêvão, que atacam muito a profundidade, tem que fazer um jogo mais vertical do que os outros”.

Itália procurou Ancelotti:

Durante a entrevista, o treinador também confirmou que recebeu contato da Federação Italiana para assumir a seleção de seu país. A possibilidade foi recusada por Ancelotti, que decidiu manter o compromisso com o Brasil.

“Simplesmente teve contato da federação, mas não é um problema de contrato, é de compromisso. Eu tenho compromisso com o Brasil não por ter assinado o contrato. Tenho compromisso pelo ano que passei aqui, fui muito bem recebido e não quero cortar esse compromisso. Quero seguir trabalhando e seguir com a Seleção”, declarou.

Ancelotti afirmou ainda que pretende permanecer mais tempo no Brasil durante o novo ciclo. O treinador disse que mora no Rio de Janeiro e mantém uma casa no Canadá.

“Eu vivo no Rio e, em alguns períodos, estou na minha casa no Canadá. Eu moro no Rio, vivo no Rio, pago imposto no Rio, sou residente fiscal aqui. Isso não significa que eu não passe alguns dias na minha casa”.

Novo ciclo começa em setembro

A primeira oportunidade para Ancelotti testar a nova formação da Seleção será nos amistosos de setembro e outubro. O Brasil enfrentará a Austrália em duas partidas e tem um confronto encaminhado contra a Índia.

A pré-lista para os compromissos precisa ser enviada à Fifa até 6 de setembro. A partir dela, Ancelotti definirá os jogadores que participarão da primeira sequência de partidas após a Copa.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Silva
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