O zagueiro Robert Arboleda, do São Paulo, agora enfrenta a possibilidade de uma acusação criminal, somando-se aos diversos processos civis já noticiados pelo Portal LeoDias. Em um novo desdobramento, com documentos obtidos por nossa equipe, Arboleda é apontado como autor de uma suposta denunciação caluniosa, o que pode levar a uma investigação por parte das autoridades competentes.
Detalhes do caso
A controvérsia teve início com um boletim de ocorrência registrado em maio de 2025 na 7ª Delegacia de Polícia da Lapa, em São Paulo, onde o jogador do São Paulo formalizou uma denúncia contra o empresário Rodrigo Marquezelli Rodrigues da Cunha.
Na ocasião, Arboleda alegou que o empresário havia forjado uma dívida superior a R$ 1,2 milhão, referente a um suposto empréstimo que o atleta teria contraído em 2018. O defensor são-paulino relatou ter tomado conhecimento da cobrança ao ser informado sobre a existência do débito no 8º Tabelionato de Protesto de São Paulo, durante uma negociação para alugar um imóvel.
O débito, supostamente de junho de 2018, teria se originado de um empréstimo de R$ 200 mil, com prazo de quitação até março de 2023. Contudo, devido a juros e multas estipulados no alegado contrato, o montante alcançou a cifra de mais de R$ 1,2 milhão em novembro de 2024, momento em que a dívida foi descoberta.
O documento de cobrança apresentava uma assinatura atribuída a Arboleda, mas o jogador negou veementemente ter assinado tal papel. Diante disso, o atleta imputou ao empresário as acusações de falsificação de documento e estelionato.
Análises periciais das partes apresentam resultados conflitantes sobre a autenticidade da assinatura
Uma perícia grafotécnica, solicitada pela defesa do jogador e elaborada pela perita Adriana Aparecida Ribeiro, apontou inconsistências significativas entre a caligrafia usual de Arboleda e a assinatura presente no documento que atestaria a dívida.
José Orlando de Almeida, um empresário com atuação no cenário do futebol e ex-agente de Arboleda entre 2018 e 2023, também figura no processo, sendo arrolado como testemunha na cobrança da dívida.
Colaborador da Kirin Soccer, empresa que já acionou Arboleda judicialmente por quebra de contratos de intermediação, José Orlando declarou em seu depoimento ter presenciado a assinatura do empréstimo, o que reforça a narrativa de Rodrigo Marquezelli.
Diante disso, a equipe jurídica do jogador acusou Rodrigo Marquezelli de falsificação de assinatura e José Orlando de envolvimento no suposto esquema.
Em contrapartida, Marquezelli encomendou duas outras perícias grafotécnicas, realizadas pelos peritos José Antenor de Sá e Mayane Melo. Ambos os laudos contrariaram a análise de Adriana Ribeiro, identificando semelhanças entre a escrita de Arboleda e outros documentos apresentados, o que sustentaria a autenticidade da dívida.
Consequentemente, os empresários formalizaram uma acusação de “denunciação caluniosa” contra o jogador do São Paulo, uma alegação que pode acarretar sérias consequências criminais para o zagueiro.
Ministério Público instaura inquérito com potencial de implicações criminais para ambas as partes
Em face das divergências, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) decidiu instaurar um inquérito para investigar as duas narrativas, que podem gerar desdobramentos criminais tanto para o jogador quanto para os empresários. Uma nova perícia, agora sob a responsabilidade do Tribunal de Justiça de São Paulo, será crucial para desempatar a questão da autenticidade da assinatura do atleta.
Se a versão apresentada por Arboleda for confirmada, os empresários Rodrigo Marquezelli e José Orlando de Almeida poderão ser indiciados por falsificação de documento e estelionato. Contudo, se for demonstrado que a assinatura e a dívida são legítimas, Arboleda poderá ser processado por “denunciação caluniosa”.